Tamanho do texto

Brasil será terceiro mercado para companhia, com 10% de participação em tres anos

A seguradora Argo, com sede nas Bermudas, conseguiu alcançar R$ 63 milhões em prêmios emitidos de janeiro a setembro deste ano no Brasil, em um primeiro balanço das operações da companhia desde que chegou ao país. A Argo recebeu autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para vender seguros aqui em dezembro do ano passado e que emitiu a primeira apólice em 26 de janeiro de 2012.

O montante alcançado em prêmios emitidos já é igual ao capital aportado para começar os negócios no país. Até o final do ano, a companhia deve fechar com R$ 90 milhões de prêmios emitidos, dentro do planejamento traçado pela diretoria.

“O Brasil representa uma boa oportunidade de crescimento para a nossa empresa no futuro e, em três anos, deve estar atrás apenas dos Estados Unidos e da Europa em nossas operações”, afirmou Mark Watson, presidente mundial, exclusivamente ao BRASIL ECONÔMICO, durante viagem nesta semana ao país para discutir as estratégias do próximo ano.

Quatro produtos

A Argo possui 40 produtos desenhados para comercializar no país. As áreas em que a empresa atua são seguro patrimonial e de riscos de engenharia, de riscos financeiros (responsabilidade civil, profissional, garantia e D&O) e de transportes. O foco dos negócios está em médias empresas, mas a companhia não descarta oferecer apólices de grandes riscos.

“Já somos a décima sétima empresa neste ramo de transportes no Brasil e a décima quinta em garantia, em prêmios emitidos. Isso em menos de um ano de funcionamento”, comemora Pedro Purm, presidente da seguradora para o Brasil.

O executivo atua na indústria de seguros há 27 anos. Em 2011, se desligou do cargo de presidente do Grupo Zurich no Brasil, que ocupou por 16 anos, para poder se empenhar em outros projetos. Em maio daquele ano, começou na seguradora de Bermudas.

A Argo, que possui escritórios em oito países, resolveu expandir os negócios para fora dos Estados Unidos há cinco anos, antes da crise de 2008. “Muitas empresas decidiram expandir para a Ásia, mas nós decidimos focar, por enquanto, no Brasil. Há planos de expansão na América Latina”, ponderou Watson.

A expectativa com o Brasil é positiva mesmo com um ambiente não tão favorável para o país quanto há quatro anos, quando a empresa planejava a abertura de escritório no país.

“O ambiente mudou muito neste período, a economia não está tão robusta, os preços estão pressionados no setor de seguros e há mais competição”, disse o presidente mundial.

No entanto, de acordo com o executivo, o crescimento da demanda por investimentos no setor de infraestrutura, por conta da realização de Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016, revelam que ainda há muito a se fazer no país, inclusive depois de terminados esses eventos mundiais.

Operações mundiais

A Argo tem a expectativa de crescer 10% no próximo ano em todo o mundo, frente à expectativa de US$ 1,5 bilhão de prêmios emitidos neste ano.

“A economia global não está indo tão bem, a nossa indústria é cíclica e estamos com crescimento baixo agora, com muitos vendedores de seguros e pouca demanda. Mas se a economia tiver mais fôlego, poderemos chegar a 20% de crescimento em 2013”, afirmou o executivo.

As grandes preocupações são com a recuperação da economia europeia, os resultados das eleições nos Estados Unidos — e o que o eleito deve fazer para estimular os negócios — e com os desastres naturais, que afetam as seguradoras.

“O furacão Sandy, por exemplo, deve gerar entre US$ 25 milhões e US$ 50 milhões em perdas para o mercado segurador. No entanto, não é nada se comparado com o tsunami no Japão e as perdas do ano passado”, pondera Watson.

Os prêmios emitidos pelo grupo Argo em nove meses de 2012 chegaram a US$ 1,4 bilhão, um crescimento de 12,7% frente ao mesmo período do ano passado. A receita líquida foi de US$ 57 milhões, ou US$ 2,18 por ação — a empresa tem capital aberto e negocia seus papéis na Nasdaq, em Nova York.

O índice combinado esteve em 102,7%, sendo que abaixo de 100% ele revela lucro com a venda de apólices. O resultado foi afetado pelos desastres naturais.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.