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Parcerias internacionais não param de crescer. Meta é captar mais recursos agora que as taxas de juros estão mais baixas

Gestores nacionais de fundos de private equity vêm optando por parcerias internacionais para obterem maior alavancagem e rentabilidade em tempos de juros mais baixos e atração de capital estrangeiro para o país.

A DGF Investimentos, que tem R$ 500 milhões de recursos administrados em quatro fundos, e foco no setor de tecnologia e serviços, ganhou concorrência internacional para receber aporte de uma agência de fomento americano. O objetivo é alavancar seu novo fundo em 30%, conta Sidney Chameh, sócio-diretor da gestora.

“O reflexo disso será um aumento de rentabilidade em cinco pontos porcentuais, o que é considerável”, aponta.

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A DGF, que tem base composta por investidores brasileiros, verifica agora uma oportunidade para o início de aportes de estrangeiros. “Eles buscam uma maneira de entrar no mercado, alavancar e rentabilizar investimentos”, diz Chameh.

Já Carlos Miranda, CEO da BR Opportunities, cuja base de investidores já é composta por 15% de estrangeiros, não descarta ter mais parceiros estratégicos no exterior, a exemplo do que ocorreu com a compra da participação minoritária no site Flores Online juntamente com a empresa americana do segmento 1-800-flowers, realizada em junho.

“Começamos agora a negociar com estes investidores, principalmente nos Estados Unidos. A ideia é que entrem diretamente no negócio e sigam nossas regras, agregando sua expertise e vontade de entrar no país de um modo mais confortável”, conta Miranda.

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Após analisar 200 empresas e anunciar buscar negócios no setor de saúde, a gestora afirma que tem duas negociações em curso e deve anunciar mais um investimento este ano e cerca de quatro no ano que vem.

Fernando Buarque, diretor da Casaforte investimentos, gestora com sede em Recife e que investe em infraestrutura, mineração e energia, realiza uma rodada de negócios com investidores da Europa e dos Estados Unidos. A gestora quer captar R$ 300 milhões para dar prosseguimento a projetos que tem em carteira.

“Como já temos projetos em desenvolvimento, é mais atrativo para este tipo de investidor que busca maior retorno sobre capital, pois dilui riscos”, diz Buarque.

Na gestora, metade do capital comprometido é proveniente de investidores estrangeiros.

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Como forma de reforçar sua atuação local e de olho em incentivos governamentais para o setor de tecnologia da informação, a gestora francesa Truffle, que administra mais de R$ 1 bilhão em recursos, comprou uma participação acionária na Confrapar, gestora especializada em investimentos em empresas nascentes no setor de tecnologia, e pretende ser sua maior acionista.

Ambas irão gerir o novo fundo da Confrapar, o AvanTI. Até agora, R$ 10 milhões foram captados com recursos próprios das duas gestoras, 10% do valor comprometido até o momento.

Christian de Castro, consultor de empresas da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCAP), aponta uma tendência de aportes em empresas menores, que faturem menos de R$ 100 milhões, mesmo por fundos de private equity.

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Como característica comum, essas empresas têm forte capacidade de alavancagem.

“Por meio de parcerias internacionais, os gestores conseguem expertise ou levantar recursos no exterior como forma de aumentar a rentabilidade”, explica. Ele também cita a entrada de players internacionais no mercado, como a Redpoint Ventures, que criou um fundo de R$ 350 milhões no país com capital levantado no exterior.

Castro aponta como fator de atratividade o alinhamento do Brasil com países ocidentais, ao contrário de outros emergentes; ambiente financeiro sofisticado e forte crescimento em alguns setores, como o de tecnologia.

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