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Governo avança em regras e empresas aceleram para participar de mercado potencial de R$ 29 bilhões

O governo deve enviar ao Congresso até o final do ano proposta de regulamentação para pagamentos por celular, mercado que deve atingir até R$ 29 bilhões em volume transacionado em 2016. Diante disso, as empresas já se mobilizam para colocar em prática seus modelos de negócio, que envolvem desde o uso do celular como maquininha de cartão a até o uso do plástico como um cartão pré-pago.

A APPI, empresa brasileira criada em 1993 para transmissão e autorização de transações eletrônicas e que tem entre seus principais clientes Cielo e Banco do Brasil, aposta no uso do celular como uma maquininha sem que seja necessário acoplar um leitor de cartão ao aparelho do consumidor. A solução será apresentada na Cartes, feira de meios de pagamento que acontece de 6 a 8 de novembro em Paris (França), mas foi adiantada ao BRASIL ECONÔMICO.

A ideia é iniciar um projeto piloto no início do próximo ano, sendo que uma bandeira e uma credenciadora de cartões já aceitaram participar. “O mundo caminha para soluções móveis, que ano após ano se torna realidade. O que nos preocupou foi construir um modelo que não mexeria tanto com a infraestrutura atual e que traria a mesma segurança do cartão físico com chip”, diz o principal executivo da APPI, Luis Filipe Cavalcanti.

A solução será aplicada, em uma primeira fase, em compras feitas pela internet. O cliente escolhe o produto, recebe um código e paga usando cartões virtuais que ficam armazenados no celular, através de um processo de autenticação que envolve senha e padrão global de operação (chamado de EMV). “O cliente pode fazer compras na internet e pagar pelo celular ou ainda realizar compras utilizando o aparelho no meio físico.” O mobile pode ser usado tanto por consumidores quanto por varejistas e profissionais liberais.

Este público também é alvo da PagPop, start up brasileira que tem como missão permitir que qualquer pessoa que venda produto e serviço possa oferecer pagamento em cartão com mobilidade — a pessoa recebe um leitor de cartão que pode ser inserido na entrada do fone de ouvido do celular. Além disso, a companhia também oferece outras soluções para quem não tem ainda um smartphone.

“Temos 20 milhões de profissionais que ainda recebem em cheque e dinheiro e que não podem oferecer parcelamentos”, conta Márcio Campos, CEO da empresa. “Em dezembro do ano passado, a companhia tinha 4 mil clientes e já chega a 21 mil atuais. Diversas companhias têm investido no pagamento por celular, mas de acordo com Campos o maior concorrente é o dinheiro e, se o governo usar as medidas certas, o mercado de pagamentos por celular vai decolar.

Pensando nisso, a Paggo, que tem na estrutura societária a companhia de telefonia Oi e a credenciadora Cielo, vai lançar até o começo de dezembro uma solução de transferência entre celulares, chamado Oi Carteira: o cliente coloca dinheiro na conta virtual e pode pagar por bens e serviços ou carregar o telefone. “No início da operação, vamos oferecer junto com um cartão pré-pago físico, para o cliente tangibilizar o serviço, mas a ideia é tirar o cartão, para reduzir custos e tornar mais eficiente”, aponta o diretor de Marketing, Renato Silva.

A Paggo já oferece o serviço de pagamento por celular na rede de 1,5 milhão de estabelecimentos credenciados à Cielo. Neste caso, o aparelho está associado a um cartão, seja ele da própria Oi (8 milhões de clientes já possuem o plástico) ou do Banco do Brasil (potencial de chegar aos 6 milhões de clientes do banco com celular da operadora). Nesse formato, o cliente da Oi possui no chip as chaves bancárias do BB, então a transação é feita com padrão bancário de segurança.

A companhia também oferece a solução de aceitação de pagamentos a pequenos empreendedores e autônomos, junto com a Cielo, modalidade na qual já possuem 1,5 mil clientes. “O governo está oficializando um modelo de mobile payment muito parecido com o nosso, que segue uma tecnologia que seja inclusiva. Nossa rede é restrita a clientes da Oi, mas estamos trabalhando para incluir outras operadoras”, afirma Silva.

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