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Investimento inicial será de R$ 203 milhões e expetativa é de que nova empresa comece a operar até o início de 2014

A Nyse Euronext e a Americas Trading Group (ATG) anunciaram nesta segunda-feira, 5, no Rio de Janeiro, a criação de uma nova plataforma para negociação de ativos no Brasil. A nova empresa – Americas Trading System Brasil (ATS Brasil) – tem como objetivo desenvolver uma central de liquidez para o mercado brasileiro de ações, que deverá começar a operar entre o final de 2013 e o início de 2014.

A Americas Trading System Brasil, cujo investimento inicial será de US$ 100 milhões (R$ 203 milhões) será controlada pela ATG, que deterá 80,10% do negócio. Já a Nyse Euronext, que controla a Bolsa de Nova York, terá 19,90% de participação na nova empresa.

“Queremos atrair liquidez para o Brasil e estamos seguros de que essa nova empresa trará muitos benefícios para o mercado brasileiro de capitais”, afirmou o presidente da ATG, Fernando Cohen, que destacou ainda a importância da credibilidade da Nyse na atração de investidores estrangeiros para o Brasil.

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De acordo com o diretor executivo da ATG, Arthur Machado, a projeção é de que a nova plataforma de negociação encerre seu primeiro ano de operação com 10% a 15% de participação no mercado de capitais brasileiro. Machado ressaltou, entretanto, que o objetivo não é reduzir o market share da BM&F Bovespa, mas, sim, contribuir para “aumentar a liquidez no mercado nacional”.

Durante o anúncio ficou evidente a preocupação em assegurar que a ATS não tem como objetivo concorrer com a BM&F Bovespa. De acordo com os executivos da ATG, a nova plataforma será complementar à bolsa de valores. Entretanto, o próprio presidente da ATG observou que não existe nenhum país no mundo, com uma economia de porte semelhante à do Brasil, com uma única bolsa.

“Se o país quer a inserção mundial, deve pensar em desenvolver uma bolsa alternativa”, frisou Cohen. Para ele, a atual direção da BM&FBovespa vai perceber a importância de se criarem novos centros de liquidez no país.

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Questionados sobre o acesso ao clearing da BM&FBovespa – que vem barrando a entrada de novos competidores no mercado nacional, como a Direct Edge - os executivos, tanto da ATG quando da Nyse Euronext, revelaram, no entanto, estar bastante confiantes no estabelecimento de uma parceria com a bolsa brasileira.

“É tudo uma questão de abordagem . Houve uma falta de sensibilidade na apresentação das propostas à bolsa. Não vamos procurar a BM&F Bovespa para dizer “Abra o clearing, que vamos fazer mais barato e melhor”, disse Machado.

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Segundo ele, “é claro que a ATS terá um plano B e até mesmo um plano C, caso a BM&F Bovespa não concorde em disponibilizar o sistema de clearing”. Mas, no momento, acrescentou, o foco é garantir essa parceria.

Machado revelou ainda que a diretoria da nova empresa, que terá como sede o Rio de Janeiro, será anunciada nas próximas duas semanas. “Já escolhemos o presidente e o CFO (diretor financeiro)”, afirmou.

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