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Associação considerou inadequado modo como os profissionais se dirigiram aos executivos da empresa nos seus relatórios

A Marfrig ganhou a primeira batalha travada com a casa de análise independente Empiricus. A Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) avaliou como inadequada a conduta dos analistas da instituição, quando acusaram o frigorífico de divulgar os resultados financeiros com inconsistências, e os condenou.

Marcos Eduardo Elias, o responsável pelos relatórios publicados pela Empiricus na ocasião, recebeu a penalidade mais severa: suspensão do credenciamento de analista por 12 meses. Já Rodolfo Amstalden e Roberto Altenhofem terão que pagar uma multa à Apimec de R$ 2.040,00, equivalente a três vezes o valor da taxa de registro, de R$ 680,00. Para eles, a punição foi mais branda devido ao entendimento de que foram co-autores dos relatórios.

“Claro que nenhum investigado gosta de ser punido. Mas, independente do resultado, entendemos que o processo foi bastante democrático”, diz Amstalden, informando que não entrará com recursos por “respeitar o resultado do processo”.

A decisão da Apimec baseou-se, única e exclusivamente, no conteúdo dos relatórios de análise divulgados pelos analistas no final do ano passado. Segundo a associação, os profissionais utilizaram o relatório de análise “para fim outrem que não auxiliar no processo da tomada de decisão de investimento.” A Apimec, no acórdão publicado sobre o julgamento, cita trechos dos relatórios da Empiricus (ver abaixo), que se dirigem a Marcos Molina e Ricardo Florence, respectivamente diretor presidente e diretor de planejamento e de relações com investidores (RI) da companhia.

Amstalden inclusive teme que o mercado não desvincule o motivo pelo qual foram julgados pela Apimec e a análise dos resultados financeiros, que ainda tramitam na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Com resultado da CVM, ou avaliação do próprio mercado, essa questão pode ser equalizada”, afirma o analista.

Histórico

O imbróglio começou no final do ano passado, quando a Empiricus publicou carta aberta a clientes e à imprensa detalhando o que seriam inconsistências no balanço do frigorífico, negadas pela empresa em seguida. O clima ficou ainda mais tenso entre ambos poucos dias depois, durante encontro anual do frigorífico com analistas e investidores, levando Amstalden a solicitar esclarecimentos à CVM e ao órgão regulador do mercado de capitais americano, a Securities Exchange Commission (SEC).

O último capítulo havia sido contado no início deste ano, quando a Marfrig entrou com pedido de averiguação, à Apimec, da conduta dos profissionais, iniciativa tida por Amstalden como “resposta ao questionamento feito por ele à CVM e à SEC”. A entidade aceitou a solicitação e julgou a conduta dos profissionais em meados de outubro.

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