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Banco reclama da queda do prêmio de risco enquanto país se limita a linhas de crédito contingentes oferecidas por organismos internacionais

Reuters

O Santander, maior banco espanhol, fez um apelo para que o governo do país busque um resgate internacional para reduzir os custos de financiamento para credores em dificuldades, já que baixas contábeis devido a investimentos ruins em propriedade quase anularam seu lucro no terceiro trimestre.

- Lucro do Santander Brasil cai 8,5% no terceiro trimestre

O Santander, maior banco da zona do euro, lidou com o estouro da bolha imobiliária espanhola e com a crise de dívida soberana melhor do que seus rivais, porque menos de um quinto de seu lucro é resultado das operações no país após anos de expansão internacional em regiões como a América Latina.

No entanto, sua ação e seus custos de financiamento sofrem enquanto a Espanha, após contratar uma linha de crédito da União Europeia no valor de 100 bilhões de euros para resgatar seus bancos, demora para solicitar um resgate total.

"Uma situação em que o financiamento do Tesouro está sendo auxiliado por linhas de crédito contingentes oferecidas por qualquer corpo internacional, produzirá uma queda no prêmio de risco do crédito soberano e, como consequência, uma queda no prêmio de risco dos bancos", disse o presidente-executivo da instituição, Alfredo Sanez, a analistas nesta quinta-feira.

O Santander foi aprovado em uma auditoria independente dos bancos do país com alta margem em setembro, o que significa que ele não estará entre os bancos que receberão recursos da linha de crédito europeia. Ainda assim, a agência de classificação de risco Moody's classifica o banco apenas dois degraus acima de "junk" -- um degrau acima do rating da dívida soberana espanhola.

"No curto prazo, a performance do papel continua a ser consequência do sentimento de investidores perante a dívida soberana", disse o analista António Ramirez, da corretora KBW.

Saenz disse que o banco detinha 30 bilhões de dólares em títulos de dívida espanhola no final de setembro, recuo ante 35 bilhões de dólares no final de junho, devido a posições de vencimento, acrescentando que o banco está satisfeito com este nível.

A ação do Santander registrou performance pior do que seus rivais europeus neste ano. A ação fechou praticamente estável nesta quinta-feira.

DISSEMINAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS RUINS

O Santander informou que seu lucro no terceiro trimestre despencou para apenas 100 milhões de euros frente a 1,8 bilhão de euros no mesmo período no ano anterior, derrubado por baixas contábeis em investimentos ruins em propriedade.

O banco informou que completou 90% das baixas contábeis exigidas pelo governo sobre moradias retomadas e empréstimos irrecuperáveis a construtoras, após contabilizar 5 bilhões de euros em perdas.

Outros bancos também estão sendo prejudicados pela "faxina" em seus balanços, a qual o governo espera que irá restaurar a confiança de investidores e liberar crédito para consumidores e negócios em uma profunda recessão.

Mas empréstimos ruins se disseminaram para além do setor imobiliário na Espanha à medida que mais pessoas dão calote em suas dívidas, com um quarto da força de trabalho desempregada.

A porcentagem representada por empréstimos atrasados sobre o total de crédito cresceu para 6,38% na Espanha, contra 5,98% no final de junho, o que --embora ainda abaixo da média nacional-- é evidência de uma tendência de aceleração.

"(A taxa está) provavelmente ainda longe do seu pico, dada a alta no desemprego e negócios locais cada vez mais sem recursos", disse o analista Flemming Barton, do CM Capital Markets.

O lucro líquido de janeiro a setembro totalizou 1,8 bilhão de euros, 66% a menos do que um ano antes, com índice de inadimplência subindo para 4,33%.

Já o lucro líquido no Brasil, que representa mais de 25% dos lucros totais, caiu 14% nos nove meses.

O banco disse também ter elevado provisões contra empréstimos duvidosos na Espanha para 9,5 bilhões de euros durante o acumulado de janeiro a setembro, dando à instituição uma cobertura de 70%.

A Espanha representa apenas 16% do lucro do Santander, com metade sendo gerado na América Latina.