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Bolsa se descolou do exterior em seu quinto dia de perdas seguido e encerrou o dia com declínio de 0,92%, aos 57.160,74 pontos, colado na mínima do dia, de 57.159 pontos

Ao contrário de terça-feira quando a Bovespa caiu acompanhando o cenário externo, nesta quarta a Bolsa se descolou do exterior e amargou o quinto dia de perdas seguido, focada no mercado doméstico, principalmente nos balanços corporativos. Pela manhã, dados econômicos divergentes na Europa e nos Estados Unidos deixaram as bolsas em direções distintas. Por aqui, a forte alta do Itaú Unibanco e da Itaúsa impediram uma queda maior do Ibovespa. Por outro lado, Vale, Petrobras e OGX fizerem pressão contrária. O comunicado do Federal Reserve, divulgado na última hora dos negócios, não chegou a influenciar.O Ibovespa encerrou o dia com declínio de 0,92%, aos 57.160,74 pontos, colado na mínima do dia, de 57.159 pontos. No mês, a perda foi ampliada para 3,40% e, no ano o ganho passou a ser de apenas 0,75%. Na máxima, alcançou 57.986 pontos (+0,51%). O giro financeiro ficou em R$ 6,023 bilhões.

"Passa dia, entra dia e nada muda. O cenário externo segue preocupante. Só surgem notícias paliativas, nada de concreto. Por aqui, a coisa não é muito diferente, o governo continua se metendo em vários setores. Para ajudar, esta safra de balanços confirma que a economia está longe de mostrar aceleração. Está difícil", ponderou um experiente operador.

O gerente de mesa de renda variável da corretora H.Commcor, Ari Santos, concorda que faltam boas notícias para puxar o Ibovespa para cima. "Com todos os incentivos do governo a Bolsa continua abaixo dos 60 mil pontos. Os balanços não ajudam. Por mais que lá fora fique bom, aqui vai continuar caindo", avaliou.

As ações da Itaúsa PN e do Itaú Unibanco lideraram o ranking de alta do Ibovespa, com ganhos de 4,60% e 4,08%, respectivamente. Segundo alguns profissionais, os papéis estão devolvendo a forte queda da véspera, quando o banco divulgou seu balanço financeiro. Além disso, parte do ganho também é atribuído à informação, de terça-feira, de que o conselho de administração autorizou a aquisição de até 13,7 milhões de ações ordinárias e 86,3 milhões de preferenciais de emissão própria, sem redução do valor do capital social.

Já o lado negativo foi liderado pelo papel ON da OGX, com recuo de 7,77%. A empresa informou nesta quarta-feira ter obtido da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a qualificação de Operador. Embora a notícia tenha sido boa, não foi suficiente para tirar as dúvidas dos investidores sobre esses papéis.

As ações da Petrobras acompanharam a queda do petróleo no mercado internacional. O papel ON caiu 1,02% e o PN, -0,60%. Na Nymex, o contrato da commodity com vencimento em dezembro encerrou com declínio de 1,08%, a US$ 85,73 o barril.

Vale ON caiu 0,70% e a PNA, -0,78%. Logo mais, a empresa irá informar seu balanço referente o terceiro trimestre. De acordo com a média de sete casas consultadas pela Agência Estado (JPMorgan, Citi, Barclays, HSBC, BTG Pactual, Deutsche Bank e Itaú BBA), o lucro líquido da maior produtora de minério de ferro do mundo deverá recuar 63%, para US$ 1,8 bilhão. Se o resultado se confirmar, será o mais baixo desde o registrado no primeiro trimestre de 2010, quando foi de US$ 1,604 bilhão. Essa previsão leva em consideração a queda do preço do minério no mercado internacional.

As siderúrgicas terminaram em direções distintas. Usiminas PN (-1,49%), Gerdau PN (+1,11%) e Siderúrgica Nacional ON (-1,67%). No meio da tarde, a presidente Dilma Rousseff anunciou a prorrogação do IPI para o setor automotivo, mas as empresas que atuam no segmento não reagiram à informação.

Nos EUA, o comunicado divulgado pelo Federal Reserve norte-americano ao fim da reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc), não trouxe surpresas segundo alguns profissionais. "Foi mais do mesmo. O Fed não iria e não irá fazer nada antes das eleições presidenciais", avaliou um outro operador.

Às 17h27, o índice Dow Jones caia 0,17%, o S&P 500 perdia 0,27% e o Nasdaq, -0,22%.

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