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Banco muda estratégia para ganhar em volume e driblar a inadimplência em um ambiente de crescente concorrência e taxa de juros em queda

O Itaú tem pronta a estratégia que pretende usar para evitar que o lucro continue a encolher, como no terceiro trimestre , em um ambiente de maior concorrência e taxa básica de juros em queda. O banco controlado pela família Setubal planeja cobrar juros menores de número maior de clientes, mas de clientes que paguem em dia. Em paralelo, vai buscar ganhos de eficiência para evitar que os gastos cresçam mais que as receitas com a chegada de novos correntistas.

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“O mercado vai ser mais competitivo, mesmo. Os serviços terão que ser melhores”, disse Rogério Calderón, diretor corporativo de controladoria e relações com investidores do Itaú, em teleconferência com jornalista na manhã desta terça-feira, após divulgação de resultado trimetral do banco.

As mudanças de rumo já começaram e têm reflexos no balanço do período de julho a setembro. A carteira de crédito de veículos, por exemplo, encolheu 4,5% no período, para R$ 54 bilhões, e cerca de 10% em 12 meses – estava pouco acima de R$ 60 bilhões. Até o final do ano, deve cair ainda mais, para entre R$ 50 bilhões e R$ 51 bilhões, disse Calderón.

O crédito a micro, pequenas e médias empresas também diminuiu 2,4%, apesar de ainda estar em patamar superior ao de doze meses atrás. Saiu de R$ 91,7 bilhões, em junho, para R$ 89,5 bilhões, em setembro.

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Na outra ponta, o banco tem expandido o crédito pessoal consignado e o crédito imobiliário. Um é garantido por descontos na folha de pagamento, o outro por um bem que pode ser retomado e que tem preços em alta.

No segmento automotivo, Calderón justificou a mudança de foco dizendo que o banco não estava ganhando dinheiro com financiamentos sem entrada e prestações a perder de vista, por causa da alta inadimplência. A ideia a partir de agora, afirma, é concentrar o crédito em clientes que eventualmente paguem menos juros, mas que honrem as parcelas em dia.

Desde o início do ano, segundo o executivo do banco, o Itaú vem reduzindo as opções de financiamento de veículos e encolheu o número médio de prestações, de mais de 50 meses para 42 meses. Em paralelo, o valor médio da entrada subiu de 25% do valor total do bem para 37%. “Estamos emprestando menos, mas continuaremos a ser o banco que mais financia veículos no Brasil”, afirmou Calderón.

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No geral, considerando operações internacionais do banco (Chile, Uruguai, Paraguai e Argentina), cartões de crédito, crédito pessoal, veículos, crédito imobiliário, crédito a pequenas, médias e grandes empresas, a expectativa do banco é de que a carteira de crédito cresça de 9% a 10% no ano. No final do ano passado, o volume total era de R$ 412,2 bilhões. No final de setembro deste ano, somava pouco menos de R$ 438 bilhões.

Segmentação

Na linha de ações para aumentar o número de correntistas, Calderón diz que o banco está ampliando a segmentação de seus pacotes de serviços e criando serviços adicionais, que justifiquem a cobrança de valores mais altos. O envio de informações financeiras para aparelhos celulares é um exemplo.

Com este tipo de iniciativa, afirma o executivo, a receita de serviços de contas correntes aumentou em 4,8%, do segundo para o terceiro trimestre, e em 33,9% no acumulado de janeiro a setembro, na comparação com o mesmo período de 2011, mesmo com a queda no preço médio das tarifas. Os ganhos com a administração de recursos de também subiu no terceiro trimestre, ante o segundo (6%).

Investimentos

O banco também anunciou um plano de investimentos em infraestrutura de R$ 10,4 bilhões, com horizonte de conclusão em 2015. Segundo Calderón, é a maior ação do tipo já feita pelo banco, e deverá dar suporte ao crescimento das operações no Brasil pelos próximos 30 anos.

O aporte está dividido em três áreas principais. Cerca de R$ 2,7 bilhões irão para sistemas de processamento de dados; R$ 4,6 bilhões para o desenvolvimento interno de software e R$ 0,8 bilhão para a aquisição de sistemas. Foram reservados ainda R$ 2,3 bilhões para novo datacenter.

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