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Prefeito do centro financeiro londrino quer mais empresas brasileiras usando a cidade como plataforma global

Brasil Econômico

David Wootton, o Lord Mayor ou “nobre prefeito” da City of London, como é conhecido o tradicional distrito financeiro de Londres, chega ao Brasil amanhã. Visitará São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro para encontrar ministros, órgãos reguladores e líderes empresariais e bancários. Para ele, o Brasil deve ganhar cada vez mais importância para a City e para o mundo. A missão do Lord Mayor, eleito anualmente, é promover o centro de serviços financeiros e legais do Reino Unido para o mundo. Como a famosa Wall Street, em Nova York, City of London é um distrito onde estão concentradas as mais importantes instituições financeiras do Reino Unido, como o Banco Central e a Bolsa de Valores.

Como a City of London vê o Brasil?

A nova classe média é provavelmente o fator mais importante que sustenta tanto o desenvolvimento econômico quanto a democracia no Brasil, que tem uma combinação mágica de recursos naturais, talentos em potencial e relações pacíficas com seus vizinhos. O século 21 pode ser do Brasil — desde que consiga rapidamente transformar esse potencial em realidade e tornar mais fácil fazer negócios aqui — tanto para os próprios brasileiros quanto para parceiros internacionais.

Quais são os seus objetivos nesta visita?

Fortalecer os laços em todos os níveis, mas especialmente transmitir a mensagem de que o Reino Unido está aberto para negócios. Temos um conjunto inestimável de know-how e experiência que poderia ser de grande utilidade para o Brasil na luta contra os seus desequilíbrios estruturais e para assegurar a longo prazo o desenvolvimento sustentável — e estamos dispostos a compartilhar tais práticas.

Quais são os setores no Brasil que atraem a City?

A minha visita é parte do programa Temporada UK-Brasil, que é organizado pelo governo britânico para fortalecer o intercâmbio entre os dois países na área de negócios, mas também nas áreas de educação, cultura e tecnologia. Minha missão, em particular, inclui aproximação com representantes de serviços financeiros do Brasil para troca de experiências, tanto na teoria como na prática; a sensibilização para a importância da educação financeira e como a relação Brasil-Reino Unido pode vir a apoiar o Brasil nesta área; e reduzir o fosso entre os brasileiros e empresários britânicos e financiadores, como um meio de unir forças para desenvolver novos negócios. Mas se eu tivesse que escolher um, seria para ver mais empresas brasileiras usando Londres como uma plataforma para o crescimento global.

Quais são as suas responsabilidades como o prefeito da cidade?

Eu sou o embaixador eleito anualmente para representar o setor de serviços financeiros do Reino Unido e, à frente da City of London Corporation — a mais antiga democracia do mundo — meu trabalho principal é ajudar a ampliar e aprofundar os laços globais do setor de serviços financeiros e de negócios de Londres. Então eu passo três meses por ano no exterior em visitas de negócios como esta, e uma grande quantidade de tempo no Reino Unido recebendo vistas de líderes globais.

Quais são os principais objetivos desta visita?

Historicamente, o Reino Unido passou um longo tempo olhando para parceiros em quase todos os outros lugares do globo e o Brasil foi por muito tempo ignorado. Isso foi mudando ao longo da última década — mas nós precisamos fazer mais e é por isso que eu estou aqui.

Como os problemas na Zona do Euro estão afetando a City?

Como principal centro financeiro da Europa, estamos preocupados. Mas o euro é um pacto político e líderes políticos vão resolver os problemas. O processo será doloroso.

Como a City tem sido afetada pelos problemas na Zona do Euro?

Embora o Reino Unido não faça parte do euro, Londres é o principal centro de negócios financeiros da Europa e está sendo afetada pela recessão. Mas Londres é também um centro global e de negócios em geral para muito setores. E o de seguros e resseguros estão indo bem, por exemplo.

Quais são os desafios para o mercado financeiro mundial hoje em dia?

Enquanto tentamos projetar um futuro melhor, precisamos ter certeza de que não estamos lutando a última guerra ou construindo estruturas complicadas que obscurecerão as grandes questões que pretendem resolver. Por exemplo, os bancos agora estão sendo obrigados a reportar em seus balanços até 30 mil itens diferentes — o que cria uma confusão de informação. Assim, o desafio fundamental a médio prazo é construir um supervisão que realmente ajude. Mas acima de tudo precisamos ver os serviços financeiros de volta às páginas de finanças e fora das primeiras páginas dos jornais.

Como Reino Unido e Brasil podem se ajudar mutuamente em áreas financeiras e de negócios?

Os principais obstáculos do Brasil para o crescimento sustentado são a falta de qualificação e baixa “facilidade de fazer negócios”. O Reino Unido e, especialmente, a City de Londres, é uma economia altamente qualificada e muito aberta. Então, eu gostaria de ver muito mais educadores e prestadores de serviços de qualificação profissional britânicos atuando no Brasil. E quanto mais empresas brasileiras se estabelecerem em Londres para usar a região como hub para seus negócios globais, mais veremos uma compreensão mais ampla do Brasil. Uma abordagem pragmática e baixa burocracia beneficiaria a todos.

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