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Alguns anos atrás, os grandes bancos no Brasil chegaram a ter retorno sobre o patrimônio perto de 30%. A queda do índice tem sido resultado da redução da taxa Selic

Reuters

O Bradesco teve lucro praticamente estável no terceiro trimestre, dando um sinal concreto de que está surtindo efeito a ofensiva de bancos públicos pela redução de juros e tarifas bancárias, em uma ação orquestrada pelo governo federal.

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O segundo maior banco privado do país divulgou lucro recorrente, que exclui itens extraordinários, de R$ 2,893 bilhões de julho a setembro, alta de cerca de 1% na comparação anual e trimestral. A cifra veio em linha com a média das estimativas de analistas de ganho de R$ 2,876 bilhões, segundo pesquisa Reuters.

"O resultado para o período, considerando-se o cenário atual, foi um bom resultado", disse o diretor executivo e de Relações com Investidores do Bradesco, Luiz Carlos Angelotti, nesta terça-feira, referindo-se à morosidade da economia brasileira ainda no terceiro trimestre e ao ambiente de competição bancária.

O retorno anualizado sobre o patrimônio, importante medida da rentabilidade de bancos, ficou em 19,9% no terceiro trimestre -- queda de 2,5 pontos percentuais sobre um ano antes e de 0,7 ponto contra o segundo trimestre.

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Angelotti disse que o indicador deve ficar entre 18% e 20% daqui para frente, algo que o executivo chamou de "um patamar razoável". Alguns anos atrás, os grandes bancos no Brasil chegaram a ter retorno sobre o patrimônio perto de 30%.

A queda do índice tem sido resultado da redução da taxa Selic --que diminui as margens com juros-- e da necessidade de os bancos privados cortarem tarifas e juros para acompanhar o movimento liderado pelo Banco do Brasil e Caixa para reduzir o custo do dinheiro aos tomadores e estimular a economia.

A carteira de crédito do Bradesco terminou setembro em R$ 371,7 bilhões, crescimento de 11,8% em 12 meses e de 1,8% sobre junho. A expansão foi puxada sobretudo pela oferta de empréstimos a empresas. Para pessoas físicas, os destaques foram financiamento imobiliário e consignado.

Para atingir o piso de sua meta de expansão dos financiamentos em 2012, de uma faixa de 14% a 18%, o Bradesco precisará ampliar o crédito em R$ 22,4 bilhões apenas no quarto trimestre, depois dos R$ 26 bilhões nos nove primeiros meses do ano.

"Entendemos que este quarto trimestre é um mais forte para a economia", disse Angelotti. "Devemos chegar ao patamar pelo menos inferior (da meta de expansão do crédito)", acrescentou.

Ele evitou dar uma estimativa para 2013, mas citou que o sistema financeiro, de maneira geral, deve crescer no crédito entre 12% e 15%. E sinalizou que o Bradesco estará preparado para competir com os rivais de modo a manter seu market share.

"A nossa competitividade deve aumentar no próximo ano com economia mais aquecida e inadimplência em queda... Temos como competir de forma mais forte", disse o executivo, sem elaborar.

Em relatório a clientes, o analista Jorg Friedmann, do Bank of America Merrill Lynch, disse que o resultado do Bradesco no terceiro trimestre evidencia as dificuldades para o setor financeiro elevar o lucro. "O Bradesco gerenciou a ligeira alta de seu lucro com bom controle de custos e provisões que vieram menores (na base trimestral)", escreveu o analista.

As provisões do Bradesco para maus pagadores foram de R$ 3,303 bilhões de julho a setembro, alta de 18,9% contra o mesmo período de 2011. Em relação ao segundo trimestre deste ano, contudo, houve diminuição de 3,1%.

A ação do Bradesco caía 1,61% às 14h06, desempenho pior que o de papéis de outros bancos na bolsa paulista. O Ibovespa, no mesmo horário, cedia 0,07%.

Inadimplência em queda

A inadimplência --medida por operações com atraso acima de 90 dias-- ficou em 4,1% no terceiro trimestre, piora em relação aos 3,8% um ano antes, mas melhora de 0,1 ponto percentual na comparação com junho de 2012.

O banco espera que a inadimplência termine o ano em 3,9% ou 4%, e que continue a cair de forma gradual em 2013.

As receitas com prestação de serviços ficaram em R$ 4,438 bilhões no trimestre encerrado em setembro, com variação positiva de 14,5% ano a ano e de 3,7% no trimestre.

Primeiro grande banco brasileiro listado em bolsa a divulgar resultados do terceiro trimestre, o Bradesco tinha no fim de setembro ativos totais de R$ 856,288 bilhões, alta de 18,6% em um ano.

A instituição terminou o terceiro trimestre com índice de Basileia de 16%, que se compara ao mínimo de 11% exigido pelo Banco Central.

O lucro contábil nos três meses até setembro totalizou R$ 2,862 bilhões, contra R$ 2,815 bilhões em igual período de 2011 e comparado a R$ 2,833 bilhões no segundo trimestre deste ano.

De janeiro a setembro, o lucro ajustado foi de R$ 8,605 bilhões e o contábil de R$ 8,488 bilhões, ambos crescendo ao redor de 2% contra igual intervalo em 2011.

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