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Segundo comunicado do BC, houve comprometimento da situação econômico-financeira da instituição; fontes dizem que banco precisava de aporte de R$ 1 bi para recompor patrimônio

O Banco Central decretou nesta sexta-feira a intervenção no banco BVA, especializado em crédito para companhias de médio porte, citando "comprometimento da situação econômico-financeira da instituição e a existência de graves violações às normas legais".

Segundo uma fonte da equipe econômica do governo ouvida pela Reuters, o banco precisava de um aporte de R$ 1 bilhão para recompor seu patrimônio, mas controladores da instituição não conseguiram negociar a injeção de capital antes da decretação de intervenção pelo Banco Central. 

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A fonte diz que banco e a equipe econômica do governo tentaram, sem sucesso, uma "solução de mercado" para o BVA. A intervenção foi decretada porque a instituição financeira possuía "grande problema de subprovisionamento", com ativos com riscos maiores que os valores reservados para cobri-los.

Entre os ajustes que precisavam ser feitos estava a necessidade de reverter um patrimônio negativo de R$ 580 milhões e reenquadrar novamente o patrimônio de referência, totalizando a necessidade de aporte de R$ 1 bilhão.

Segundo o comunicado do BC, Banco BVA, com sede no Rio de Janeiro, detém apenas 0,17% dos ativos do sistema financeiro e 0,24% dos depósitos, com 7 agências localizadas nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. De acordo com a autoridade monetária, estão sendo tomadas todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais de supervisão do sistema financeiro.

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O resultado das apurações, segundo o BC, poderá levar à aplicação de medidas punitivas de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Com a decisão do BC de intervir na instituição financeira, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.

Desde agosto o banco dava sinais de que poderia apresentar problemas. Na época,  os sócios do BVA fizeram uma reunião com cerca de 400 empregados para comunicar prejuízo no semestre, mas anunciaram uma capitalização de R$ 300 milhões para setembro. Em entrevista exclusiva ao iG na época, o fundador do banco, José Augusto Ferraz Santos, havia dito que "o resultado será ruim nesse ano porque estamos segurando o ritmo dos empréstimos, dada a situação geral da economia."

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No entanto, a anunciada capitalização não foi efetivada, o que fez o BC cogitar retirar da presidência executiva Ivo Lodo, que também é sócio da instituição. O atraso na divulgação dos balanços auditados também pesou na decisão do Banco Central.

Eduardo Félix Bianchini, chefe de subunidade da Gerência Técnica de Liquidações Extrajudiciais em São Paulo, será responsável pela gestão do BVA. Ele deverá verificar a verdadeira situação do banco, para determinar se a instituição financeira será recuperada ou liquidada.

(com agências)

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