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Rating de crédito de curto prazo passou a indicar sinais de default; rebaixamento ocorre no mesmo dia em que o Banco Central decretou a intervenção na instituição financeira

A agência de classificação de risco Austin Rating rebaixou, nesta sexta-feira, os ratings de curto e longo prazos do banco BVA, com perspectiva negativa. Rating é uma nota dada a instituições financeiras para identificar sua capacidade ou não de honrar compromissos. O rebaixamento ocorre no mesmo dia em que o Banco Central decretou a intervenção na instituição financeira, citando "comprometimento da situação econômico-financeira da instituição e a existência de graves violações às normas legais".

O rating de crédito de longo prazo do banco passou de brBB para brCC, com perspectiva negativa, o que significa que a instituição "apresenta péssima solidez financeira, exigindo eventual assistência externa", de acordo com a escala da agência. Já as notas de curto prazo foram alteradas de brB para brC, com perspectiva negativa. É a menor na classificação da Austin e que indica que a instituição apresenta sinais de default, e que está afetada por elementos como "negócio de questionável valor; condições financeiras deficientes e um ambiente empresarial altamente desfavorável."

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No dia 28 de setembro a agência já tinha rebaixado a classificação de longo prazo do banco, de brBBB - que significa "solidez financeira intrínseca adequada" -, para brBB, o que significa solidez "regular". Mas, até 29 de agosto, a agência mantinha grau de investimento para o banco brA- para os ratings de curto prazo (risco muito baixo) e BBB+ para os de longo prazo (risco baixo).

Segundo Luis Miguel Santacreu, analista de Instituições Financeiras da Austin, a não divulgação do balanço auditado - que deveria ter ocorrido até 60 dias após o fim do primeiro semestre, em 30 de junho -, e a não concretização da capitalização de R$ 300 milhões prometida para o final de setembro pesaram nos rebaixamentos do banco. "Isso criou uma leitura desfavorável no mercado, que, após o Cruzeiro do Sul, achou que o BVA seria o próximo evento", explica.

Santacreu diz que, embora o rebaixamento tenha se dado hoje, após a intervenção do Banco Central, a sinalização já estava dada, por conta das outras ações do tipo realizadas em setembro e agosto. "O rating estava em observação negativa, então o desfecho foi esse, mas podia ter havido aumento de capital", afirma.

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Outra agência que dava grau de investimento ao BVA era a LF Rating. Até 28 de agosto, a empresa concedia nota A- para o banco, o que indicava que a instituição financeira oferecia "boa segurança para honrar compromissos financeiros regulares." A nota passou para BBB+ nesta data, o que indicava que áreas importantes apresentavam fragilidade, mas que a instituição era capaz de "superar tais problemas no curto prazo". Procurada, a agência informou que não comenta os ratings, pois eles são elaborados para servir de parâmetro para o próprio banco.

Já a Moody's sempre teve uma postura mais preventiva em relação à força financeira do banco. O primeiro rating concedido à instituição, em maio de 2008, foi E+, o que significava que o banco tinha pouca força financeira intrínseca. Em 26 de setembro, a nota foi rebaixada para E. A Fitch, outra agência que analisava o rating da companhia, concedia o rating B- em dezembro do ano passado. Pela classificação da agência, isso representava grau especulativo. Segundo a Fitch, "significativo risco de crédito está presente" na instituição.

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