Tamanho do texto

Diretor do Bradesco que país deve viver ciclo de crescimento moderado de crédito, maior intervenção do Estado na economia e menores taxas de retorno

Agência Estado

Apesar do baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro projetado para este ano, o diretor do Departamento Econômico do Bradesco, Octavio de Barros, afirmou nesta quarta-feira que o País "não vai virar um grande Japão". "A tese estagnacionista sugere isso, mas nem eu ou minha equipe compartilhamos desta opinião", declarou em apresentação no Seminário Internacional Acrefi, em São Paulo. Segundo ele, o PIB do Brasil deve ficar em torno dos 4% nos próximos anos.

Barros lembrou que o Japão teve um forte crescimento na década de 50, mas teve seu PIB aumentado em apenas 0,9% na década de 2000 e vem crescendo 0,6% desde 2010. "Mas o país tem problemas demográficos seríssimos, não dá para comparar", disse.

Para o executivo, o mundo precisa se acostumar ao "New Normal", isto é, um novo modo de funcionamento da economia mundial e brasileira. "A Belle Époque não vai voltar", afirmou. Barros utiliza o termo para definir a época em que havia forte expansão de crédito, reduzida intervenção do Estado na economia, despreocupação com o endividamento soberano, altas taxas de retorno, crescimento baseado no consumo e a China se expandia fortemente.

Já este novo ciclo da economia é caracterizado, de acordo com Barros, por um crescimento moderado de crédito, maior intervenção do Estado na economia, redução do endividamento soberano, menores taxas de retorno, expansão baseada na produtividade e no investimento e China crescendo menos (7,5% em 2012 e 7,3% em 2013).

Contudo, ele destacou que o "New Normal" não é um ciclo depressivo, e deve durar cerca de dez anos. "Alguns setores ainda apresentarão altas taxas, mas o Brasil vai crescer o que o mundo lhe permitir crescer, como aconteceu este ano. O que está acontecendo com a indústria no Brasil é o mesmo que está acontecendo no mundo todo", salientou.

Em relação à crise europeia, Barros não manifestou grande preocupação: "Convenhamos que a Europa nunca foi 'driver' para o crescimento econômico mundial", disse, além de projetar que o PIB da zona do euro deve ser de 0,5% em 2013. "A Europa recém entrou no terceiro quarto da crise, ainda tem muito chão pela frente", avaliou.

Já a situação dos Estados Unidos é mais otimista na visão do executivo. "Eles estão se recuperando, mas o abismo fiscal persiste como ameaça no ano que vem. Contudo, eles não têm vocação para suicídio, então com certeza vão encontrar uma forma de superar isso. O que ainda poder pegar é o desemprego", alertou. Ainda assim, ele disse que o PIB dos EUA não será problema, e deve crescer 2,3% em 2013.