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Presidente e ministro do desenvolvimento e comércio do país celta visitam o Brasil, o Chile e a Argentina em missão comercial, de olho no potencial de crescimentos dos emergentes

Joe costello, ministro do comercio e desenvolvimento da Irlanda.
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Joe costello, ministro do comercio e desenvolvimento da Irlanda.

Um dos centros de atenção da crise europeia, a Irlanda se mexe para vender ao Brasil e à América Latina mais que músicas da banda pop rock U2 e a clássica cerveja Guinness. Nesta semana, o presidente irlandês Michael Higgins esteve no Brasil na companhia do ministro do comércio e desenvolvimento, Joe Costello, chefiando uma missão comercial com 39 empresas, metade delas na área de educação. A lista é composta ainda por empresários da indústria de alimentos, tecnologia e máquinas. Antes, estiveram no Chile e terminarão a viagem na Argentina. “Vemos o Brasil como um mercado prioritário. É uma economia em rápido crescimento, a sexta maior economia do mundo e a porta de entrada para América Latina”, afirma Costello.

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Brasil e Irlanda estão longe de ser parceiros comerciais tradicionais. Nos últimos dez anos, a corrente comercial entre os dois países, resultado da soma de exportações e importações, foi de pouco mais de US$ 7 bilhões. O volume é quase o mesmo que o de comércio entre Brasil e Canadá só no ano passado (US$ 6,7 bilhões). Na comparação com o comércio com a Argentina, não representa nem três meses de um ano.

O volume de troca entre os dois países, porém, vêm crescendo. Na primeira metade da década passada, a média foi de US$ 450 milhões ao ano. No ano passado, chegou a US$ 948 milhões, 27,5% acima de 2010, quando importações e exportações somaram US$ 743,4 milhões – o saldo, nos dois anos, foi positivo para a Irlanda, em mais de US$ 300 milhões. E a expectativa dos irlandeses é de que o comércio continue a se expandir em ritmo acelerado.

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Na lista do que pretendem vender mais ao Brasil estão pacotes de tecnologia, em especial de segurança e biometria; equipamentos para a área de telecomunicações, sistemas de informática e ingredientes para a indústria alimentícia. Além disso, os irlandeses querem atrair estudantes de inglês e bolsistas de programas estatais de pós-graduação, como o Ciência sem Fronteiras.

Um dos compromissos de Higgins no Brasil foi o evento em que a presidente Dilma Rousseff anunciou a concessão de 1,5 mil bolsas de estudo do programa Ciência sem Fronteira, para que estudantes brasileiros façam intercâmbio em universidades irlandesas, nos próximos quatro anos. 

Na área industrial e de serviços, os irlandeses apostam em investimentos diretos e associações com empresas locais. Nas estimativas de Costello, existem cerca de 150 companhias irlandesas operando no Brasil. São nomes como Synergy Aromas, do grupo Carbery, que nesta semana inaugurou nova unidade de produção e um centro de pesquisa em Vinhedo (SP), ou a Openet, de TI, que abriu na capital paulista seu primeiro escritório no país durante a visita de Higgins. “O número tem crescido rapidamente nos últimos dois anos. Muitas companhias estão se associando a companhias brasileiras. Então, é uma via de mão dupla”, diz o ministro.

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Neste cenário, os irlandeses se vendem aos brasileiros ainda como alternativa de porta de entrada para os mercados europeus. No discurso de Costello, são uma boa opção logística e têm outras vantagens, como capacidade de pesquisa, inovação e tecnologia.

Hoje, do lado brasileiro, são embarcados para a Irlanda aviões, bauxita (usada na produção de alumínio), bagaço de soja para produção de óleo, fumo, essência de laranja, carnes e placas para circuitos eletrônicos.

Em sentido contrário, a pauta de exportação da Irlanda para o Brasil é encabeçada por insumos para a área médica, como anticorpos, implantes expansivos para desobstrução e artérias (stents) e outras frações de sangue; máquinas, como guindastes de pórtico, e cartuchos de tinta.

Mas o interesse dos irlandeses vai bem além dessa lista. “Estamos interessados em todas as áreas. Temos experiência em construção, telecomunicações, ingredientes para alimentos, educação, indústria farmacêutica, agronegócios”, diz Costello. “Na medida em que avancem as negociações entre Mercosul e UE, uma série de outras oportunidades se abrirão”.