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Após FMI cortar previsões de crescimento, moeda norte-americana vai a R$ 2,360

Reuters

O dólar fechou em alta ante o real nesta terça-feira acompanhando a piora do cenário externo com temores sobre a economia global, que aumentaram depois que o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu projeções de crescimento econômico de vários países.

Mesmo assim, segundo operadores, o mercado não deve puxar muito as cotações da moeda norte-americana por causa da constante vigilância do Banco Central, que tem limitado movimentos mais amplos.

A moeda norte-americana subiu 0,32%, cotada a R$ 2,0360 na venda. Durante o dia, a divisa oscilou entre R$ 2,0282 e R$ 2,0385.

Excluindo as altas que registrou nos quatro dias em que o Banco Central interveio neste e no mês passado, a alta neste pregão foi a maior desde 4 de setembro, quando subiu 0,52% frente ao real.

"Esse ajuste de previsões do FMI, no qual o Brasil está incluído, assustou um pouco... Os investidores procuraram ativos mais seguros, como o dólar", disse o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo. "Acho que daqui para frente, a moeda deve continuar com baixa volatilidade e em torno de R$ 2,03, a não ser que haja uma piora na Europa."

O FMI reduziu, na noite de segunda-feira, a projeção de crescimento mundial e de diversos países, trazendo mais preocupações sobre a recuperação econômica.

Para 2012, o FMI espera agora crescimento global de 3,3%, abaixo da previsão de julho de alta de 3,5%, o que seria o menor crescimento desde 2009. Para o Brasil, a projeção foi reduzida para uma expansão de 1,5% este ano, ante 2,5%.

Além disso, o mercado segue atento à situação da zona do euro, que continua colaborando para o tom negativo dos mercados, além de investidores aguardarem com cautela balanços corporativos no exterior, com a temporada começando nesta terça-feira.

Diante da piora do sentimento externo, dólar se valorizou ante várias divisas. Às 17h20 (horário de Brasília), a moeda norte-americana tinha alta de 0,59% ante uma cesta de divisas. O euro, por sua vez, caía 0,76% ante o dólar.

A variação do dólar frente ao real, no entanto, não acompanhava na mesma proporção à de outras moedas no exterior, com o mercado mostrando menor volatilidade depois das recentes atuações do BC. Durante setembro e outubro, o dólar tem sido negociado em torno de 2,02 e R$ 2,03.

O BC interveio por meio de leilões de swap cambial reverso --operação que equivale a uma compra de dólares no mercado de futuro-- em meados de setembro e voltou a atuar na última sexta-feira, impedindo que a moeda caia abaixo de R$ 2, considerado um piso informal.

Já no final de junho, o BC interveio na ponta compradora para evitar que o dólar ultrapasse R$ 2,10, atuação que o mercado entendeu como uma defesa de um "teto" para o dólar. No entanto, recentemente o dólar tem sido negociado numa banda mais estreita, entre R$ 2 e R$ 2,05.

(Reportagem de Danielle Fonseca)

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