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Seca nos EUA ainda manterá preços em alta nos próximos trimestres, beneficiando empresas do setor

A forte seca nos Estados Unidos, a pior dos últimos 50 anos, continuará a beneficiar os preços do setor agrícola e, consequentemente, as ações das empresas ligadas a essa área. A avaliação de analistas é que esse fenômeno climático norte-americano fará com que os estoques, principalmente de grãos, fiquem apertados nos próximos meses, fazendo com que os preços continuem em patamares ainda altos. “Continuo confiante quanto ao desempenho das empresas do setor para os próximos trimestres”, afirmou, em relatório, o analista da BB Investimentos Henrique Koch.

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Esse cenário já leva em conta um arrefecimento dos preços dos grãos registrados em setembro. A avaliação é que mesmo com a recente queda, os valores ainda estão em patamares elevados. No ano até setembro, a soja acumula alta de 53% e o milho, de 3,4% — as variações eram maiores até o mês anterior.

Por outro lado, esse recuo favorece os pecuaristas. “A soja e o milho são componentes bastante representativos dos custos dos produtores de proteínas, em especial de frango e suínos,como a BRFoods, que vinham sentindo pressão em suas margens”, explicou o analista. As ações da empresa estão entre as poucas do setor que apresenta queda neste ano (ver quadro).

O que é fato é que, em geral, tanto as ações de empresas ligadas à produção de grão quanto aquelas de produção de proteínas estão com boa performance na bolsa brasileira em 2012. A maior alta, até o dia 3 de outubro, é a do frigorífico Minerva, com ganhos de 129,05%. A SLC Agrícola, em que 50% da área plantada é para cultivo de soja, já subiu 43,85% no ano e a Cosan, 40,17%.

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Na avaliação do analista Rodolfo Amstalden, da Empiricus Research, o arrefecimento nos preços dos grãos, movimento que foi mais agudo em setembro, não chega a ser preocupante porque boa parte dos produtos já vendeu no mercado futuro a sua safra que começou a ser plantada agora. A estimativa é que ao menos 70% já tenha sido comercializada. “Mesmo com a produção um pouco maior nos Estados Unidos na próxima safra a perspectiva é positiva. As empresas já venderam boa parte da colheita futura com os preços atuais.”

Além disso, há a expectativa de retomada da tendência de alta nos preços agrícolas após o recuo de setembro. Na avaliação dos economistas Giovanna Siniscalchi e Artur Manoel Passos, do Itaú, esse movimento foi interrompido, entre outros fatores, por uma realização de lucro após quase três meses de ganhos ininterruptos. “Esperamos que os preços retomem a tendência de alta nas próximas semanas, já que a demanda ainda presa ser racionada antes da colheita na América do Sul no primeiro trimestre de 2013”, dizem, acrescentando que daí para frente as principais variáveis serão a demanda e as condições climáticas na região — com a seca nos Estados Unidos, os produtores da América do Sul elevaram as suas áreas plantadas.

Já para as empresas ligadas à produção de etanol, como Cosan e São Martinho, a situação é um pouco diferente. Amstalden, da Empiricus, explica que esses produtores viram frustrada o desejo de obter algum benefício fiscal do governo federal - para conseguirem isso, terão que investir no aumento da produtividade, o que não se dá no curto prazo. O único consolo é a expectativa de aumento de 20% para 25% da quantidade de etanol anidro a ser adicionado à gasolina, o que já foi suficiente para uma valorização das ações.

Apesar de bons ganhos no ano e de perspectiva positiva, há gestores que preferem ficar de fora desse setor. A razão é que a principal variável para boa parte dessas empresas, o clima, não pode ser controlado. “É uma variável que está fora do controle do gestor. Acaba sendo um setor de maior risco”, diz o gestor da Queluz Investimentos, Maurício Pedrosa.

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