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Apesar do avanço consistente da inflação em São Paulo e da melhora de indicadores de atividade, investidores apostam em baixa das taxas de juros de curto prazo

A despeito do avanço consistente da inflação na cidade de São Paulo e da melhora de alguns indicadores de atividade, os investidores em juros mantiveram o viés de baixa das taxas curtas e intermediárias.

Segundo profissionais da área de renda fixa, parte do mercado viu o resultado da produção industrial de agosto um pouco abaixo do previsto como razão para manter uma fatia de suas fichas na possibilidade de mais um corte de 0,25 ponto porcentual da Selic na próxima semana.

Enquanto isso, as taxas longas ficaram perto da estabilidade, mas com leve viés de alta.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (282.675 contratos) estava em 7,203%, de 7,22% no ajuste. Nesse patamar, a precificação de corte da Selic em outubro estava em 0,16 ponto porcentual.

A taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (314.900 contratos) marcava 7,61%, ante 7,62% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (85.490 contratos) indicava 9,01%, de 8,99%. O DI janeiro de 2021, com giro de 2.920 contratos, apontava máxima de 9,71%, ante 9,67% no ajuste.

O mercado já abriu sabendo que o IPC, calculado pela Fipe, subiu 0,55% em setembro, com forte aceleração em relação à variação de 0,27% de agosto e acima do teto das estimativas das instituições consultadas pelo AE Projeções (0,51%). O grupo Alimentação seguiu em aceleração. O subíndice terminou agosto com 1,08%, subiu para 1,63% na terceira pesquisa de setembro e fechou o nono mês do ano com 1,74%.

Além disso, a inflação do segmento de commodities medida pelo Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br) voltou a acelerar e ficou em 0,29% no mês passado na comparação com agosto. No mês anterior, houve queda de 0,08% ante julho.

Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o IPCA de setembro, mas as chances de uma surpresa positiva são pequenas. Segundo levantamento do AE Projeções, o IPCA deve ficar entre 0,50% e 0,59%. A mediana encontrada ficou em 0,56%. Em agosto, o IPCA teve alta de 0,41%.

No âmbito da atividade, o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços no Brasil subiu de 48,1 em agosto para 52,8 em setembro, de acordo com dados do HSBC e da Markit. E o índice composto de produção do setor privado, sazonalmente ajustado e que inclui dados associados à atividade das empresas manufatureiras e de serviços, voltou a se expandir pela primeira vez em três meses. O índice de produção do setor privado avançou de 48,6 em agosto para 52,2 em setembro. A taxa de expansão é a mais elevada desde abril deste ano.

No exterior, enquanto os indicadores do setor de serviços na zona do euro continuaram mostrando a debilidade da economia do bloco, dado semelhante nos EUA superou as expectativas. O índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços norte-americano avançou para 55,1 em setembro, o maior nível desde março, de 53,7 em agosto. A estimativa dos analistas era de 53,1. Ainda nos EUA, a criação de empregos pelo setor privado ficou em 162 mil em setembro, acima das 153 mil vagas previstas por economistas.