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Brasil negocia com África do Sul, China, Índia e Rússia a criação do braço financeiro do bloco de países emergentes para patrocinar infraestrutura e desenvolvimento sustentável

No dia 11 de outubro, o Brasil e os demais países que compõem o bloco emergente Brics (África do Sul, China, Índia e Rússia) irão se reunir em Tóquio para definir o tamanho do banco que irá financiar infraestrutura e o desenvolvimento sustentável entre os membros do grupo. A estimativa é de que a instituição nasça com capital entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões.

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Embora os países já tenham definido que posteriormente o banco fará capitações no mercado financeiro internacional para aumentar o caixa inicial, a estrutura da instituição começa a ser debatida formalmente agora – incluindo a cota que cada um assumirá.

Haverá duas reuniões entre técnicos da área financeira dos países para estudo de modelos. Depois, os ministros da Fazenda dos Brics irão avaliar o trabalho técnico. A definição do porte do banco, contudo, deverá ficar para março de 2013, quando o bloco volta a se reunir.

O banco dos Brics circula como ideia no meio financeiro desde 2010, mas foi somente em agosto deste ano, após os países decidiram discutir formalmente se há possibilidade real de criar uma estrutura financeira conjunta.

Além do banco, os ministros emergentes discutirão novos mecanismos de arranjo de reserva em moeda estrangeira para aumentar a segurança do comercio exterior entre eles. O modelo, porém, não será igual acordo de R$ 60 bilhões firmado entre Brasil e China, durante a conferência Rio+20.

Na ocasião, os países optaram por estabelecer valores em moedas locais (real e yuan). Agora, os Brics devem adotar o modelo tradicional de swap: contratar dólar para cobrir a corrente comercial entre suas empresas.

FMI no Japão

A reunião dos Brics antecede o encontro do Fundo Monetário Internacional (FMI) programado para acontecer pela primeira vez no Japão. O Brasil tenta convencer os colegas emergentes para apresentar uma proposta formal de mudança na estrutura do fundo, dando mais poder às economias fora do núcleo central do capitalismo (Europa e EUA).

Para isso, o Brasil sugere pretende reformular o sistema de cotas do Fundo, que leva em conta hoje indicadores econômicos como o Produto Interno Bruto (PIB) – quanto maior a cota, maior o poder de voto nas decisões do FMI.

A mudança exigiria uma alteração na cesta monetária do fundo, conhecida como Direitos Especiais de Saque (SDR, na sigla em inglês), formada hoje pelo iene japonês, o dólar americano e o euro.