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Especialistas de cinco países se juntam e pretendem gerar informações mais precisas sobre as regiões de origem do que as análises realizadas por Standard & Poor’s, Fitch e Moody’s

Desde que eclodiu a crise do subprime em 2008, em que estruturas financeiras nada saudáveis, decorrentes de rolagens de créditos imobiliários de alto risco, passaram desapercebidas, as três maiores agências de rating do mundo — S&P, Fitch e Moody’s — perderam prestígio e ficou evidente a necessidade de revisão dos mecanismos de classificação de risco.

Diante dessa lacuna, cinco casas de diferentes pontos do globo decidiram se unir para criar uma nova agência de avaliação de risco, segundo revelou o economista Paulo Rabello de Castro, presidente do comitê de economia do Lide (Grupo de Líderes Empresariais) durante o Fórum Empresarial Algarve.

Rabello de Castro é também membro do comitê executivo de classificação de riscos da SR Ratings, uma das empresas que fará parte da nova casa. “Estamos prestes a anunciar uma empresa de classificação de risco para vários países. Três agências de crédito favoreceram os endividamentos e diziam que estava indo tudo muito bem. Ter outra agência é extremamente importante. É como um observatório mundial”, afirmou.

Essa instituição, ainda sem data para lançamento, será integrada por: SR Ratings; Companhia Portuguesa de Ratings, de Portugal; Marc, da Malásia; GCR, da África do Sul; e a Care Ratings, da Índia.

O objetivo será aferir com mais precisão a situação de empresas e países que estão fora do eixo das economias tradicionais. As informações devem ser originadas nas regiões de origem dos especialistas para depois serem aglutinadas e consolidadas.

Assim, poderão ser produzidas fotografias mais adequadas do que as fornecidas pelas três agências de alcance global. cuja perspectiva é centralizada nos Estados Unidos, sujeitas a influências da ótica de Wall Street. As três demoraram a informar ao mercado sobre os títulos podres que vinham se acumulando nos balanços dos bancos norte-americanos e chegaram a minimizar o problema, o que, para muitos, ajudou a agravar a situação.

O tema foi abordado em 2010 pela Subcomissão Permanente de Investigações do Senado dos Estados Unidos, que afirmou que as três agências tinham conhecimento do descolamento entre as notas que haviam atribuído e a real situação das instituições financeiras.

Na avaliação de Rabello de Castro, uma agência de rating deve contribuir para uma visão de futuro. “Dependemos, atualmente, de uma maneira única de pensar e avaliar riscos, que é pró-cíclica, ou seja, que demora a identificar o problema e trata um incêndio como uma fogueira. Uma agência deve contribuir com informação antecipada, que não afetará diretamente o mercado, mas que sirva de referência para o futuro.”

Embora a nova casa de rating seja formada majoritariamente por economias emergentes, agências de países desenvolvidos, como Alemanha e Japão, estudam aderir ao negócio. Também há interesse de casas da Coreia, Turquia e China.

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