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Dólar à vista era negociado em queda de 0,25%, cotado a R$ 2,030

Agência Estado

Depois de subir pela quarta sessão consecutiva na quarta-feira (26), o dólar deve devolver parte do avanço recente ante o real nesta quinta-feira. A melhora do humor dos mercados no exterior, a despeito das persistentes preocupações na Europa, conduz o movimento nos negócios locais.

Com isso, há chances de o patamar de R$ 2,03, retomado na quarta-feira (26) pela primeira vez desde o início do mês, deve ser novamente abandonado nesta quinta-feira. Ainda assim, a intensa agenda econômica nos Estados Unidos pode aguçar a volatilidade interna.

Às 9h30, o dólar à vista era negociado na mínima no balcão, em queda de 0,25%, a R$ 2,030, depois de abrir em baixa de 0,15%, a R$ 2,032, na máxima.

Na opinião de um operador da mesa de tesouraria de um banco local, o real deve se apreciar ante a moeda norte-americana nesta sessão, diante do sinal positivo que prevalece entre os ativos de risco nos negócios internacionais. "A melhora externa é a principal influência do dia", comenta. Mas, ainda assim, acrescenta ele, a volatilidade deve ser reduzida. "O dólar deve ir até R$ 2,027, na mínima", projeta.

Contudo, o profissional, que falou sob a condição de não ser identificado, aponta para a relevância dos indicadores norte-americanos previstos para o dia. "Dependendo dos números a serem anunciados e da reação dos mercados, o dia pode ser mais movimentado", avalia, referindo-se às divulgações da segunda e última revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no trimestre passado; dos pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país; das encomendas de bens duráveis em agosto; do índice de atividade industrial na região do meio-oeste também em agosto.

Logo mais, às 11 horas, ainda nos EUA, é a vez das vendas pendentes de moradias no mês passado e, por fim, às 12 horas, o Fed de Kansas City informa o dado de atividade regional em setembro.

Em meio a esses números, os índices futuros das Bolsas de Nova York apontam para uma abertura no terreno positivo, local também ocupado pelas principais bolsas europeias. Nesta quinta-feira, a Espanha anuncia o plano de reformas estruturais e da proposta de orçamento do ano que vem. Ainda no horário acima, o euro caía a US$ 1,2868, de US$ 1,2873 no fim da tarde da quarta-feira (26).

As moedas correlacionadas com países produtores e exportadores de commodities, porém, avançam ante o dólar. Por volta das 9 horas, o dólar norte-americano caía 0,31% em relação ao dólar australiano e perdia 0,16% ante o dólar canadense.

Ainda no exterior, vale mencionar que o Banco Central da China (PBoC) injetou nesta semana um montante recorde de 365 bilhões de yuans (US$ 57,9 bilhões) no sistema financeiro, por meio das operações regulares de mercado aberto. A medida visa aliviar a crise de liquidez sazonal, mas também é um sinal da contínua relutância do BC chinês em introduzir medidas mais agressivas de afrouxamento monetário para conter a desaceleração da economia do gigante emergente.

Internamente, os investidores digerem o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central. No documento, a autoridade monetária reduziu a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2012 de 2,5% para 1,6% e projeta o IPCA em 5,2% neste ano no cenário de referência, de uma estimativa anterior de 4,7%. Para 2013, neste mesmo cenário, a projeção para o IPCA caiu de 5% para 4,9%.

Para o BC, o principal impacto negativo para a atividade nacional deve vir da indústria, cuja estimativa passou para declínio de 0,1% neste ano, ante previsão anterior de crescimento de 1,9%. Já a projeção de queda da agricultura em 2012 foi suavizada para -1,4%, de -1,5% antes. Por sua vez, a previsão de crescimento de serviços foi reduzida de +2,8% para +2,2%.