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Ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (254.335 contratos) estava em 7,26%, nivelado ao ajuste

Agência Estado

A piora do ambiente internacional voltou a impor pressão baixista para os negócios e as taxas futuras, sobretudo longas, registraram pequena queda nesta quarta-feira. Os temores sobre Grécia e Espanha seguem cerceando a confiança dos investidores e já há analistas considerando cada vez mais difícil a permanência dos gregos na zona do euro. Em meio a isso e antes da divulgação do Relatório Trimestral de Inflação no País, amanhã, os dados locais serviram como contraponto.

Nos números de crédito, houve aumento do estoque em agosto, mas recuo das concessões diárias, com a inadimplência estável em patamares elevados. Em relação à atividade, a indústria de máquinas teve alta do faturamento e a confiança da indústria em geral também cresceu.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (254.335 contratos) estava em 7,26%, nivelado ao ajuste. A taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (222.435 contratos) marcava 7,73%, também igual à da véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (79.450 contratos) indicava 9,12%, de 9,13% na véspera. O DI janeiro de 2021, com giro de 6.045 contratos, apontava máxima de 9,80%, ante 9,81% no ajuste.

Os investidores não querem se mexer muito antes do Relatório de Inflação. Mesmo porque, o próprio presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em 12 de setembro, afirmou que as medidas de redução de custos de energia seriam levadas em conta nas projeções para a inflação da autoridade monetária. Enquanto isso, a inflação corrente segue pressionada. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação da cidade de São Paulo, registrou 0,41% na terceira quadrissemana de setembro, ante 0,35% na segunda prévia do mês. Diante deste cenário, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) elevou sua expectativa para o IPC de setembro para 0,44%, de 0,38% anteriormente.

E os dados de atividade continuam sinalizando uma retomada mais consistente da economia. Nesta quarta-feira a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) informou que as empresas do setor fecharam agosto com faturamento bruto real de R$ 6,862 bilhões, o que representa uma alta de 2,1% em relação a julho. Já a Sondagem de setembro da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que a confiança da indústria de transformação brasileira subiu 0,9% ante agosto. Já o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) apurado pela FGV cresceu de 84,0% para 84,1% no período, na série com ajuste sazonal - maior patamar desde julho de 2011.

O Banco Central, por sua vez, informou que o estoque de crédito subiu 1,2% em agosto ante julho, para R$ 2,211 trilhões. A média diária de concessões do crédito livre, porém, caiu 1,3% em agosto em relação a julho, para R$ 8,909 bilhões - número mais baixo desde janeiro.A inadimplência média do crédito livre se manteve em 5,9%, mesmo porcentual verificado em julho.

Na Europa, Grécia e Espanha continuam fomentando preocupações. Hoje, o banco central espanhol afirmou que a atividade econômica no país continuou fraca no terceiro trimestre deste ano, em um sinal preocupante para o governo, que precisa atingir duras metas impostas para o déficit orçamentário.

Em relação à Grécia, o presidente do Banco Central da Alemanha e membro do conselho do Banco Central Europeu (BCE), Jens Weidmann, agravou as tensões ao dizer que o BCE não pode cobrir os déficits de financiamento da Grécia. Tanto Espanha quanto Grécia encaram ondas de protestos por parte da população.