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Aversão ao risco leva moeda norte-americana a ser vendida a R$ 2,031

O dólar fechou em leve alta ante o real nesta terça-feira pela segunda sessão consecutiva. A aversão ao risco dos investidores cresceu no final do pregão, com preocupações persistentes sobre a situação na Europa e a recuperação da economia global.

A moeda norte-americana subiu 0,26%, a R$ 2,0312 na venda, fechando perto da máxima da sessão, de R$ 2,0325. A mínima foi de R$ 2,0230.

O dólar continua, no entanto, com variações modestas em torno de R$ 2,02 e R$  2,03 -- patamar no qual se mantém há uma semana, desde a última atuação do Banco Central no mercado de câmbio.

"As bolsas pioraram lá fora, investidores venderam ações e tomaram dólar. Pode ter tido algum fluxo de saída agora à tarde também", disse o operador de câmbio da Renascença Corretora José Carlos Amado.

As bolsas no exterior chegaram a subir mais cedo após dados mostrarem que a confiança do consumidor dos EUA subiu para o nível mais alto em sete meses em setembro. No entanto, os índices perderam força durante o dia e voltaram a cair.

As preocupações com a zona do euro e o temor que as ações tomadas por bancos centrais não se reflitam em uma rápida recuperação da atividade global têm mantido investidores cautelosos.

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, afirmou nesta terça-feira que as medidas de estímulo tomadas recentemente pelo banco são apenas uma ponte e precisam ser complementadas por ações dos governos.

Um dos países que mais tem preocupado os investidores é a Espanha, que ainda não fez um pedido de ajuda financeira. O país só poderá contar com o apoio do BCE após um pedido de resgate.

Agravando a situação do país, a região espanhola de Andaluzia disse que está estudando buscar uma linha de crédito de 4,9 bilhões de euros junto ao governo.

Mercado travado

Apesar do aumento das incertezas, dólar continua operando com pequenas oscilações, sob a expectativa de que o banco central possa intervir no mercado a qualquer momento.

"O mercado ainda está travado por causa do BC, e dólar está bem confortável nesse patamar, não vejo muita mudança por enquanto", disse Amado.

O Banco Central vem demonstrando determinação de manter o dólar acima do nível de 2 reais, apesar de um possível aumento no fluxo de capitais para o Brasil após as medidas de estímulo monetário dos bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa.

Nesta terça-feira, em discurso à Organização das Nações Unidas, a presidente Dilma Rousseff criticou a política expansionista adotada pelos países desenvolvidos, afirmando que isso tem desvalorizado o dólar e prejudicado as economias emergentes.