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Declarações de Mantega sobre espaço para a queda da taxa Selic ainda são digeridas

Agência Estado

Os investidores em juros voltaram a promover uma correção em baixa para as taxas futuras nesta terça-feira em um ambiente de incertezas em relação à condução da política monetária. O mercado ainda não digeriu a correção do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na semana passada, em relação às declarações sobre haver espaço para queda de juros no País.

E como esta semana reserva a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, na quinta-feira, os agentes parecem ainda mais reticentes, aguardando a análise do Banco Central sobre o cenário atual e futuro de inflação. A piora do ambiente externo durante a tarde ficou como pano de fundo para o recuo dos vértices mais longos da curva de juros.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (337.855 contratos) estava em 7,26%, de 7,28% no ajuste. A taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (533.280 contratos) marcava 7,73%, ante 7,76% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (113.035 contratos) indicava 9,13%, de 9,20% ontem. O DI janeiro de 2021, com giro de 2.330 contratos, apontava 9,81%, ante 9,86% no ajuste.

"A verdade é que muita gente ainda não comprou o desmentido da Fazenda sobre as declarações de Mantega na semana passada", afirmou um operador em referência à fala do ministro. Na sexta-feira pela manhã, as taxas de juros curtas caíram, após o ministro afirmar a investidores, em Londres, que ainda há espaço para redução da Selic no Brasil. No fim da tarde, porém, a assessoria da Fazenda esclareceu que, ao dizer que ainda havia espaço para redução dos juros, Mantega se referia às taxas de mercado. Desde então, porém, as taxas curtas e intermediárias permanecem, majoritariamente, em queda.

Há também quem acredite que o Banco Central pode, pelo menos, confirmar a visão da Fazenda de que não será necessário elevar a taxa básica em 2013 caso desenhe um cenário mais favorável para o comportamento dos preços no médio prazo em seu Relatório de Inflação. O próprio presidente do BC, Alexandre Tombini, em 12 de setembro, afirmou que as medidas de redução de custos de energia seriam levadas em conta nas projeções para a inflação da autoridade monetária.

Nos dados domésticos, a Receita Federal informou que a arrecadação atingiu em agosto R$ 77,074 bilhões, apresentando uma queda real (com correção da inflação pelo IPCA) de 1,84% em relação a igual mês de 2011, o que levou o órgão a revisar a previsão de crescimento real da arrecadação para o ano, de 3,5% a 4% antes, para 1,5% a 2% agora.

No exterior, até houve alguns dados melhores de atividade, mas declarações de um representante do Fed minaram o otimismo que se viu no começo dos negócios. Até então, o avanço do índice de confiança do consumidor norte-americano do Conference Board para 70,3 em setembro, o nível mais alto desde fevereiro, da leitura revisada de 61,3 em agosto, ajudava. No começo da tarde, porém, o presidente do Federal Reserve da Filadélfia, Charles Plosser, afirmou que o novo programa de compras de bônus do Fed não deverá impulsionar o crescimento econômico e ameaça afetar a credibilidade do Banco Central dos EUA.