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Taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 estava em 7,28%, nivelada ao ajuste

Agência Estado

A piora do ambiente externo voltou a se sobrepor ao noticiário doméstico, resultando em leve viés de queda para as taxas futuras de juros. Notícias ruins sobre a Grécia e a apreensão gerada pela demora da Espanha em pedir resgate financeiro, o que impede o Banco Central Europeu (BCE) de colocar em funcionamento seu plano de compra de bônus no mercado secundário, trouxeram queda para bolsas e commodities. Internamente, o aumento das estimativas para a Selic no fim de 2012 e a piora das expectativas para a inflação de curto prazo, conforme revelou a pesquisa Focus, acabou em segundo plano enquanto os investidores aguardam o Relatório Trimestral de Inflação, a ser divulgado pelo Banco Central na quinta-feira.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (250.755 contratos) estava em 7,28%, nivelada ao ajuste. A taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (163.720 contratos) marcava 7,76%, ante 7,78% na sexta-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (28.010 contratos) indicava 9,20%, de 9,22%. O DI janeiro de 2021, com giro de apenas 695 contratos, apontava 9,86%, ante 9,88% no ajuste.

No fim de semana, a revista alemã Der Spiegel publicou uma reportagem afirmando que a Grécia precisa cobrir um déficit orçamentário de 20 bilhões de euros, quase o dobro das estimativas anteriores. O Ministério de Finanças do país negou a informação, o que foi insuficiente para tranquilizar os investidores. Na Espanha, o que gera tensão é a demora do país em pedir socorro financeiro, justamente em uma semana de anúncios como o teste de estresse com os bancos ibéricos. Outro temor vindo da Europa é a falta de um acordo sobre a implementação da união bancária, como ficou evidente na reunião entre a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, no fim de semana.

No Brasil, o levantamento Focus desta segunda-feira mostrou que os analistas esperam, agora, que a taxa básica de juros termine 2012 estável em 7,50%, ante projeção de 7,25% na semana passada. A alteração sinaliza a captação dos efeitos da medida de redução do adicional de compulsório bancário. As mudanças foram anunciadas na sexta-feira (15), após as 18 horas, quando já tinha vencido o horário de corte da coleta de previsões no BC válidas para a compilação da pesquisa Focus anterior. Para o fim de 2013, a projeção para a Selic se manteve em 8,25%.

Na mesma pesquisa, houve revisão em alta para o IPCA de curto prazo, de 5,26% para 5,35% neste ano. Para 2013, as projeções foram mantidas em 5,50% pela quarta semana consecutiva. No que se refere ao PIB, as estimativas para 2012 ficaram inalteradas em 1,57%, após sete semanas seguidas de deterioração. Para 2013, a aposta de crescimento seguiu em 4% pela sétima semana.

Enquanto isso, os índices de inflação atestam a piora das expectativas. Nesta segunda a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) subiu 0,53% na terceira quadrissemana de setembro, ante 0,49% no período encerrado no dia 15. A pressão dos preços, juntamente com os sinais de retomada da atividade, chancela a visão da maioria dos investidores de que a Selic ficará estável em outubro, também em linha com o discurso mais conservador do Banco Central em suas últimas comunicações.