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Por volta das 9h30, no mercado de balcão, o dólar à vista abria em alta de 0,10%, a R$ 2,026

Agência Estado

Apesar da ausência de declarações de autoridades do governo sobre o câmbio e de intervenções do Banco Central por quatro dias seguidos, o mercado doméstico deve seguir "travado", com o dólar encontrando pouco espaço para oscilar ante o real.

Porém, o sinal negativo que prevalece nos mercados internacionais, içando a moeda norte-americana ante as principais rivais estrangeiras, deve permitir um dia de alta nos negócios locais em meio à agenda econômica mais fraca ao redor do mundo.

Por volta das 9h30, no mercado de balcão, o dólar à vista abria em alta de 0,10%, a R$ 2,026. Instantes após, cravou a máxima, a R$ 2,028 (+0,20%). No mesmo horário, na BM&F Bovespa, o contrato futuro do dólar para outubro subia 0,15%, a R$ 2,029, depois de abrir em alta de 0,17%, a R$ 2,0295.

Já no exterior, por volta das 9h, o dólar norte-americano tinha alta de 0,52% ante o dólar australiano; avançava 0,44% ante o dólar canadense; crescia 0,22% ante a rupia indiana e ganhava 0,41% ante a lira turca.

Para um operador de câmbio de uma corretora internacional, as perdas exibidas pelos mercados no exterior podem ajudar o dólar a subir ante o real. "Até porque, para cima, o Banco Central e o Mantega deixam", avalia, referindo-se às sucessivas intervenções da autoridade monetária até o início da semana passada e ao discurso incisivo e ameaçador do ministro da Fazenda para refrear a valorização do real.

Segundo ele, a lateralidade do dólar ante o real, que preponderou na semana passada, não deve seguir em voga nesta segunda-feira. "Hoje o mercado não está com essa cara", diz. Isso porque permanece a apreensão dos investidores com Espanha e Grécia. Enquanto o primeiro país segue relutante em pedir formalmente um resgate financeiro, o segundo se prepara para apresentar um plano multibilionário de cortes orçamentários.

Ainda por volta das 9h, o euro valia US$ 1,2920, de US$ 1,2978 ao final da semana passada. A Bolsa de Madri liderava as perdas na região, com -1,57%. Em Nova York, o futuro do S&P 500 caía 0,39%, à espera de dados regionais de atividade em Chicago e em Dallas, que saem logo mais, e antes de indicadores de peso, como a leitura revisado do PIB dos EUA, na quinta-feira.

Porém, a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, afirma, em relatório, que, embora os sinais no exterior continuem relevantes para a dinâmica dos mercados, "no Brasil, cada vez mais, as variáveis estão sendo afetadas por declarações e medidas do governo".

"O câmbio segue cada vez mais travado em patamar próximo de R$ 2,00 por dólar, sendo que a Fazenda tem se mostrado enfática ao dizer que não permitirá a valorização do real", avalia, acrescentando que isso provoca o descolamento da taxa em relação aos fundamentos macroeconômicos. "Neste momento, esses fundamentos apontariam para um real mais forte", completa.