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Agência de classificação de risco vê "riscos elevados" para o banco mineiro, cujo principal acionista e executivos são acusados de envolvimento no escândalo de corrupção

Agência Estado

A agência de classificação de risco Moodys rebaixou os ratings de crédito do Banco Rural. Em comunicado à imprensa, a Moody's destaca que vê "riscos elevados" para o banco mineiro por causa do julgamento do Mensalão, que ocorre no Supremo Tribunal Federal, e envolve o principal acionista e executivos do Rural.

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Além da imagem, o volume de negócios e o relacionamento com clientes podem ser afetados. Outro impacto no Rural pode ser na captação. A Moody's ressalta que a instituição pode até ter maior dificuldade em captar recursos no mercado, por causa do julgamento e das acusações, "o que pode fragilizar ainda mais a geração de receitas e o perfil de liquidez do banco". A nota de depósito de longo prazo, na escala global em moedas local e estrangeira, caiu de "B1" para "B3".

Ao mesmo tempo, a Moody's rebaixou os ratings de depósito na escala nacional brasileira para "B1.br" e "BR-4" de "Baa3.br" e "BR-3", no longo e curto prazo, respectivamente. O rating de força financeira de bancos, que está classificado em "E+", permaneceu inalterado, e segue no nível mais baixo da escala da Moodys. Pela metodologia da Moody's, bancos com este rating "apresentam força financeira intrínseca bastante modesta, com elevada probabilidade de que requeiram suporte externo periódico ou eventual assistência externa". Além disso, a Moody's colocou os ratings do Rural em revisão para possível rebaixamento, informa o comunicado.

Capitalização

Nos últimos 10 meses, o Rural recebeu várias injeções de capital, totalizando R$ 158 milhões, como forma de assegurar que o índice de capitalização permanecesse acima do nível mínimo requerido pelo Banco Central. "A capacidade interna de geração de receitas do Rural para reabastecer o capital tem sido limitada pelo alto custo de captação e por altos níveis de provisão para crédito de liquidação duvidosa, refletindo também o ambiente de negócios competitivo no segmento de crédito a pequenas e médias empresas, sua principal operação", destaca o comunicado da agência.

A Moody's vê o perfil da captação do Rural como amplamente vulnerável, à medida que o banco possui participação relevante de venda de carteiras e depósitos com garantia, ambos instrumentos mais caros. A cessão de carteiras para bancos maiores está praticamente parada desde a descoberta de fraudes no PanAmericano, no final de 2010. Nos últimos anos, o Rural foi deixando de operar com crédito consignado, mercado que passou a ser dominado por grandes bancos, e se focou no crédito a empresas médias.

O Rural ainda não divulgou os resultados do segundo trimestre. No Banco Central, o dado mais recente do banco é de maio. O banco mineiro fechou aquele mês com índice de Basileia de 11,8%, bem próximo ao mínimo exigido pelo BC (11%). A instituição tem prejuízo de R$ 17,8 milhões este ano, até maio, e ativos totais de R$ 6 bilhões.