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No mercado de balcão, o dólar à vista estava cotado a R$ 2,023, com alta de 0,05%

Agência Estado

Depois de ficar ausente do mercado doméstico de câmbio pela primeira vez em uma semana, na terça-feira (18), o Banco Central volta ao centro das atenções dos investidores nesta quarta-feira. A expectativa de baixa para o dólar ao longo do dia, a despeito da abertura em ligeira alta, pode instigar uma atuação da autoridade monetária o quanto antes, a fim de conter uma apreciação acelerada da moeda nacional.

Porém, o ganho da moeda norte-americana no exterior ante as correlacionadas com commodities, o euro e o iene pode conter as perdas locais.

Às 9h30, o contrato futuro do dólar para outubro tinha ligeira alta de 0,02%, a R$ 2,028, depois de oscilar entre uma máxima a R$ 2,030 (+0,12%) e uma mínima a R$ 2,026 (-0,05%). No mercado de balcão, o dólar à vista estava no nível mais baixo após a abertura, a R$ 2,023, com +0,05%.

Um operador da mesa de câmbio de uma corretora paulista avalia que na terça-feira (18) o mercado doméstico aproveitou para testar o sangue-frio do Banco Central, que ficou distante das mesas de operações, eximindo-se até de fazer consultas de demanda por swap cambial reverso, o que não ocorria desde o último dia 10. Com isso, o dólar acabou fechando na mínima do dia no balcão.

Porém, uma vez que a moeda norte-americana está cada vez mais perto do piso de R$ 2,00, há uma expectativa de uma nova intervenção da autoridade monetária hoje. "O BC pode atuar no começo do dia", avalia um profissional de tesouraria de um banco local, acrescentando que, "quanto mais demorar para intervir, mais o mercado vai pressionar" o dólar para baixo.

O movimento, porém, iria na contramão do sinal positivo exibido pelo dólar no exterior. É válido lembrar que a agenda econômica norte-americana traz, pela manhã, a divulgação de dados sobre o setor imobiliário no país. Há pouco, foi informado que as construções de moradias iniciadas nos Estados Unidos subiram um pouco abaixo do previsto em agosto, em +2,3% de +2,5% previstos, enquanto as permissões para novas obras caíram menos que o esperado, em -1,0%, de -1,4% esperados.

Ainda por volta do horário acima, o euro era negociado abaixo da marca de US$ 1,30, a US$ 1,2999, de US$ 1,3045 no fim da tarde de terça-feira (18), em meio ao ressurgimento da cautela na Europa com a Espanha. A moeda norte-americana subia 0,20% ante o dólar australiano, mas não exibia uma direção única em relação aos dólares canadense e neozelandês, além da rupia indiana.

O grande destaque entre as moedas estrangeiras era o iene. Também no mesmo horário, o dólar caía a 78,76 ienes, de 78,83 ienes na véspera, depois de registrar alta, mais cedo, em reação à decisão do BC japonês (BoJ) de ampliar o tamanho do programa de compra de ativos em 10 trilhões de ienes para 80 trilhões de ienes, utilizando-se da principal ferramenta de flexibilização monetária para combater a valorização da moeda nacional após uma terceira rodada de afrouxamento quantitativo nos Estados Unidos.

O ministro de Finanças do Japão, Jun Azumi, saudou a decisão do BoJ de afrouxar sua política monetária, afirmando que as medidas do BC de relaxamento monetário foram mais "arrojadas que o governo esperava", e ajudará a sustentar a economia. Ele também acrescentou que "a decisão do BC do Japão foi oportuna", dados os sinais de desaceleração do crescimento na economia japonesa registrados no segundo trimestre.