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Maioria das apostas para reunião do Copom está na manutenção da Selic em 7,5%

Agência Estado

O mercado futuro de juros praticamente não reagiu aos indicadores domésticos divulgados nesta quarta-feira uma vez que vieram em linha com o esperado. Assim, a maioria das apostas para o encontro de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom) segue concentrada na manutenção da Selic em 7,50%. Os dois indicadores de confiança da indústria em setembro sinalizam dias melhores para o setor, enquanto os índices de preços no atacado e no varejo trazem o comportamento já projetado pelos analistas em relação ao impacto do avanço recente das commodities agrícolas. No exterior, o alívio monetário determinado pelo Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) não mexeu com as taxas, mas pode exigir ainda mais esforço do governo para segurar o dólar acima de R$ 2,00.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (com apenas 90.325 contratos) estava na mínima de 7,30%, de 7,31% no ajuste. A taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (209.930 contratos) marcava 7,84%, ante 7,82% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (52.595 contratos) indicava 9,25%, nivelado ao ajuste. O DI janeiro de 2021, com giro de 2.670 contratos, apontava 9,90%, ante 9,89% no ajuste.

Entre os dados domésticos conhecidos nesta quarta-feira o Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado na prévia da Sondagem da Indústria de setembro mostrou um avanço de 1,1% em relação ao resultado de agosto, atingindo 105,2 pontos, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), por sua vez, passou de 84% em agosto para 84,1% em setembro. Outro levantamento, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de setembro chegou a 57,4 pontos, de 54,5 em agosto.

No âmbito dos preços, a inflação no atacado sinalizou já ter absorvido boa parte da alta das commodities agrícolas devido à seca nos Estados Unidos. A FGV informou que o IGP-M ficou em 0,84% na segunda prévia de setembro, ante avanço de 1,38% em igual prévia do mês anterior. Enquanto o IPA-M desacelerou para 1,11% na prévia, após alta de 1,94% em igual medição de agosto, o IPC-M acelerou para 0,37%, de 0,26%, em igual período. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação da cidade de São Paulo, registrou alta de 0,35% na segunda quadrissemana de setembro, ante 0,31% na primeira prévia deste mês e 0,21% na segunda medição de agosto. O grupo Alimentação apresentou forte aceleração, para 1,71%, de 1,46% na primeira prévia de setembro.

Mas ainda que a inflação atual não traga surpresas, o mercado não comprou o discurso do governo em relação ao comportamento futuro dos preços. Um dos motivos para o ceticismo do mercado em relação à inflação está na sinalização do governo de que fará o possível para manter o dólar nos patamares atuais. Isso impediria que um alívio cambial compensasse a pressão de preços oriunda de um cenário internacional um pouco melhor do que o atual.

E a tarefa do governo para segurar o dólar pode ficar ainda mais difícil. O BoJ seguiu o exemplo do Fed e, por unanimidade, estendeu seu programa de compras de ativos em mais seis meses, de junho de 2013 para dezembro do mesmo ano, o que significa um aumento nas compras de ativos em 10 trilhões de ienes (cerca de US$ 120 bilhões), de 70 trilhões de ienes para 80 trilhões de ienes (US$ 1,01 trilhão). Além disso, membros do Banco da Inglaterra (BoE) sentiram que estímulos adicionais provavelmente serão necessários no futuro em razão da perspectiva fraca e incerta sobre o crescimento econômico, segundo a ata da última reunião.