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Apesar da boa notícia, ontem a maioria devolveu os ganhos registrados na semana passada e fechou em queda

A redução dos depósitos que os bancos são obrigados a recolher ao Banco Central, anunciada na noite de sexta-feira, vai facilitar a vida de bancos médios, com a liberação de R$ 30 bilhões no sistema financeiro. Proposital ou não, a medida neutraliza possíveis efeitos da liquidação do banco Cruzeiro do Sul, também anunciada na sexta-feira, que poderia dificultar a captação de recursos de investidores (e de depósitos dos clientes) para essas instituições. Para os grandes bancos, os efeitos também são positivos.

“O compulsório é um componente do spread e, portanto, quanto menos, melhor. O custo do dinheiro cai e ou o banco repassa aos clientes, ampliando a carteira de empréstimo, como quer o governo; ou vai incorporar na margem. Em qualquer caso, a notícia é boa para os acionistas”, explica José Augusto Salles, analista da Lopes & Filho.

Apesar da boa notícia, ontem o comportamento das ações dos bancos não reagiu, ao contrário: a maioria seguiu o índice e fechou em queda. Para Aloísio Lemos, analista da Bradesco Ágora, o dia foi atípico: “A semana passada foi uma das melhores do ano, e as ações de bancos não foram exceção. Ontem era o momento de realizar lucros, vendendo na alta os papeis que haviam subido bastante”, disse, afirmando que não espera, contudo, uma alta forte dos papéis de banco.

O analista Carlos Daltozo, do BB Investimentos, também acredita que o efeito sobre os preços das ações dos bancos brasileiros pela queda dos compulsórios será limitada. Daltozo explica que que as alterações no compulsório de efeito mais imediato para esse grupo de instituições diz respeito aos depósitos à vista, cuja alíquota adicional foi reduzida de 6% para zero. No entanto, essa parcela já era remunerada pela Selic.

Essas instituições ganharam ainda a possibilidade de utilizar até metade do limite do compulsório adicional dos depósitos a prazo - em que a alíquota vai cair de 12% para 11% a partir do dia 29 de outubro - para a compra de carteiras de crédito e letras financeiras. Nesse caso, são as instituições de pequeno e médio porte que devem ser as maiores beneficiadas, citando como exemplo o ABC Brasil, Indusval e BicBanco.

Ontem, as ações do ABC fecharam em queda de 1,4%, enquanto as do Indusval caíram 3,17% e as do Bic terminaram o dia estáveis. Panamericano caiu 1,75%, Daycoval fechou estável e Pine recuou 0,7%. Entre os grandes, Bradesco subiu 0,39% e Santander Unit, 0,95%. Banco do Brasil, Itaú e Bradesco recuaram.

Lucro cai 12%

Além de aproveitar o momento para vender as ações depois da alta recente, outro fator pode ter contribuído para as quedas. O BC divulgou o painel consolidado dos bancos brasileiros, apontando queda de 12% no lucro no primeiro semestre de 2012 na comparação com o último semestre de 2011.

Segundo o BC, 101 instituições financeiras lucraram R$ 25,693 bilhões , ante R$ 29,089 bilhões em 2011. Esse foi o menor lucro semestral dos bancos desde os R$ 24,687 bilhões registrados entre janeiro e junho de 2010. O dado se refere de bancos comerciais, múltiplos com carteira comercial e Caixa Econômica Federal.

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