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No mercado de balcão, o dólar à vista abriu em baixa de 0,15%, a R$ 2,018, na máxima, e, instantes após, batia a mínima a R$ 2,016, em queda de 0,25%

Agência Estado

Diante do programa de compra de bônus do Federal Reserve anunciado nesta quinta-feira (13) e com o dólar perdendo valor ante o euro e as principais moedas correlacionadas com commodities no exterior, a tarefa do Banco Central em defender o piso de R$ 2,00 fica cada vez mais difícil.

Analistas afirmam que basta a moeda norte-americana vir abaixo de R$ 2,02 na sessão desta sexta-feira para que a autoridade monetária intervenha nos negócios, provavelmente anunciando novo leilão de swap cambial reverso. A aposta é de que essa nova ação possa ocorrer ainda pela manhã.

No mercado futuro, o contrato do dólar para outubro caía 0,20% por volta das 9h20, cotado a R$ 2,0235. No mercado de balcão, o dólar à vista abriu em baixa de 0,15%, a R$ 2,018, na máxima, e, instantes após, batia a mínima a R$ 2,016, em queda de 0,25%.

Para o operador da InterBolsa Ovídio Soares, "não há dúvida de que o BC vai fazer" um leilão de swap reverso (equivalente à compra de dólares no mercado futuro) nesta sexta-feira. E essa operação, segundo ele, deve ser nos mesmos moldes da que foi realizada na última quarta-feira (12), quando foram ofertados contratos com vencimentos em outubro e novembro.

"A consulta nas mesas ontem já ventilou essa possibilidade", diz, referindo-se à consulta do BC junto aos agentes financeiros para verificar a demanda por swap cambial.

Segundo um operador da mesa de tesouraria de um banco local, essa intervenção deve ocorrer ainda pela manhã, diante da expectativa de abertura em queda do dólar ante o real, já testando o nível de R$ 2,02.

Na operação, afirma o profissional que falou sob a condição de não ser identificado, o BC deve anunciar o restante de contratos que vencem em outubro, a fim de neutralizar o vencimento de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro) no mês que vem. Do total de 36 mil contratos que maturam em outubro, equivalente a US$ 1,8 bilhão, restam cerca de 19,5 mil contratos (ou US$ 975 milhões).

É válido lembrar que a agenda econômica norte-americana está repleta de dados relevantes nesta sexta-feira, o que deve aguçar a oscilação dos ativos de risco. O dia nos EUA começa com o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) e o núcleo do indicador, e as vendas no varejo dos EUA em agosto, que saem às 9h30. Às 10h15, é a vez da produção industrial do país também no mês passado.

Às 10h55, a Universidade de Michigan publica a leitura preliminar de setembro do índice de sentimento do consumidor. Por fim, às 11h, é a vez dos estoques das empresas em julho.

Soares, da InterBolsa, afirma, porém, que resta saber se é, de fato, interesse do governo brasileiro segurar um dólar acima de R$ 2,00, já que a taxa de câmbio é vista como uma "âncora" para conter a inflação. "Apesar de estar sob controle, a inflação está em um nível elevado", pondera. Ainda assim, ele ressalta que o governo tem muitos instrumentos para segurar o dólar nesse piso, se quiser.

Nesta quinta-feira (13), a presidente Dilma Rousseff ligou para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em meio à preocupação com um possível retorno do "tsunami monetário". Após o telefonema, Mantega avisou que "não deixará ocorrer uma valorização do real por causa da medida do Fed", acrescentando que o governo poderá lançar mão a qualquer momento do arsenal de medidas de que dispõe para manter o real desvalorizado.

No exterior, o forte indício dado pelo ministro das Finanças do Japão, Jun Azumi, de que uma intervenção no mercado para combater o iene é iminente, parece ter efeito. Ainda por volta do horário acima, o dólar subia a 78,05 ienes, de 77,48 ienes na véspera, na contramão das demais moedas.

O anúncio de que o Fed injetará mensalmente US$ 40 bilhões em dinheiro novo no sistema financeiro para reanimar a economia dos Estados Unidos, pressiona o dólar de modo generalizado ante as principais rivais.

O euro subia aos maiores níveis desde maio, cotado a US$ 1,31, de 1,2987 no fim da tarde de ontem. Já o dólar norte-americano caía 0,35% ante o dólar australiano e recuava 0,46% ante o dólar canadense. O destaque ficava para a rupia indiana, com queda de 1,87% da moeda dos EUA.