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Medida que zera alíquota para depósitos à vista entra em vigor nesta sexta-feira e é mais uma tentativa para acelerar o crescimento do PIB em 2012 e aumentar a oferta de crédito

O Banco Central reduziu as alíquotas do recolhimento compulsório sobre depósitos à vista e a prazo, injetando na economia em torno de R$ 30 bilhões com o objetivo de impulsionar o crédito no país, informou a autoridade monetária nesta sexta-feira.

A alíquota adicional incidente sobre os depósitos à vista foi reduzida de 6% para zero, e passa a vigorar a partir desta sexta-feira. Já a alíquota adicional do depósito a prazo foi reduzida para 11%, ante 12%, e surtirá efeito a partir de 29 de outubro de 2012.

"Esse conjunto de medidas deve liberar, nos próximos meses, em torno de R$ 30 bilhões do estoque atual de R$ 380 bilhões de depósitos compulsórios, o que contribuirá para alongar o perfil de captação do sistema e melhorar a distribuição da liquidez no mercado interbancário", acrescentou o Banco Central em nota.

A redução do depósito compulsório é anunciada em um momento em que o governo está buscando aumentar o crédito para impulsionar a economia, e no mesmo dia em que o BC decretou a liquidação de dois bancos de pequeno e médio portes.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, disse, no entanto, que a medida não tem relação com a liquidação dos bancos Cruzeiro do Sul e Prosper .

Ele afirmou ainda que o governo está buscando aumentar o crédito e levar a alíquota do compulsório para mais perto da média internacional.

A circular da autoridade monetária que decide sobre o compulsório permite ainda que até metade do recolhimento do adicional sobre depósito a prazo seja cumprida com a aquisição de Letras Financeiras e carteiras de crédito. Essa regra passa a vigorar a partir desta sexta-feira.

Análise

Apesar de o BC negar elo com a liquidação dos bancos Cruzeiro do Sul e Prosper, para o economista-chefe da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira, a redução do compulsório é um medida "preventiva" que deve aumentar a liquidez do sistema interbancário.

"Foi surpreendente, porque não é por falta de liquidez que a nossa economia está um pouco desacelerada. Isso pode ter relação com a situação de liquidez interbancária, em decorrência da liquidação do Cruzeiro do Sul", afirmou. Silveira disse ainda que a medida visa deixar o sistema bancário "menos estressado".

"A medida está muito mais vinculada a isso (à liquidação do Cruzeiro do Sul). Aumenta a liquidez interbancária e evita a pressão sobre o caixa dos bancos. É uma medida preventiva", disse. O economista afirmou ainda que a mudança não deve afetar os juros bancários. "Pelo nível de queda desse compulsório, não vai afetar o spread".

Para o diretor presidente FDA Global Financial Advisor, Miguel Daoud, a medida serve para  evitar que o PIB apresente um avanço pífio em 2013. Contudo, segundo o consultor, medidas como a redução do compulsório, desoneração da folha do pagamento, redução na tarifa de energia elétrica, são ações que o governo já deveria ter tomado há muito tempo.

"São importantes mas suscitam desconfiança por estarem sendo tomadas próximas das eleições", disse ao se referir ao anúncio feito nesta sexta-feira pelo Banco Central.