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Estudo da Lecca Investimentos mostra que gestão ativa é principal fator a fazer a diferença; investidor deve ficar atento

A maioria dos fundos de ações com mais de 24 meses de existência supera o Ibovespa nos últimos dois anos, encerrados no dia 31 de agosto. Porém, o número de gestores que conseguem rentabilidade positiva e superar o CDI é bem menor.

De acordo com levantamento da consultoria Lecca Investimentos, de 562 fundos, 72,3% superaram o Ibovespa no período, que teve queda de 12,41%; enquanto 45,6% tiveram retorno positivo e 15,5% tiveram rentabilidade acima do CDI, de 22,37%.

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Para o gestor de investimentos da consultoria, Georges Catalão, a qualidade de gestão faz a diferença, e deve estar cada vez mais na mira dos investidores em um cenário de juros baixos.

"A gestão ativa tem diversos níveis. Há um esforço de gestão para conseguir retornos positivos e até superar o CDI quando o mercado de renda variável anda de lado", diz.

Para selecionar bons gestores e conseguir montar um portfólio consistente, a consistência da geração de valor (alfa) é cada vez mais importante, e consiste em identificar ações com maior e menos upside e ter market timing. Estas características são cada vez mais importantes para quem busca aplicações de longo prazo.

Entre os fundos que ofereceram os maiores retornos no período, a maioria são gestores independentes. Geralmente, a gestão tem um preço: a taxa de administração pode variar de 2% a 3%. "Mas é necessário escolher com cuidado. Há quem vende risco como valor", conta.

Com a queda das taxas de juros, estes fundos de gestão ativa devem atrair mais investidores institucionais em busca de maior rentabilidade, diz François Racicot, consultor da área de investimentos da consultoria Mercer. "Muitos fundos de pensão estão repensando e estudando novas formas de investimento, que pode incluir a gestão ativa".

É o que está acontecendo na Quest. O fundo de small caps da gestora é um dos que apresentaram a maior rentabilidade no período, de 57,27%. Os investidores institucionais já são 20% do fundo.

"Estes investidores foram mais atraídos para o fundo nos últimos seis meses", diz Alexandre Silvério, sócio e gestor de renda variável da gestora. O fundo, criado em 2009, tem patrimônio de R$ 29 milhões, cresceu 40% apenas este ano.

Segundo Racicot, a tendência deve ser mais forte no final de ano, quando as políticas de investimentos destes fundos devem ser revistas.

“Muitos já têm alocação em renda variável de 15% a 20%, a maioria com gestão ativa”, diz o consultor. “Mas o mandato tem apetite ao risco limitado. O investidor é exigente. Se o retorno vier abaixo do benchmark por um período razoável, ele pode demitir o gestor”, diz Racicot.

Economia doméstica

Como estratégia para ter maior rentabilidade, a Quest aposta em empresas da economia doméstica. “Combinamos papéis de pequenas e médias empresas, fazemos análise bottom up e oferecemos cotização de resgate de 30 dias. Nos preocupamos com a liquidez do fundo”, explica o gestor.

A Equitas, cujo fundo, o Selection, teve retorno de 51,94%, também apostou na economia doméstica. “Buscamos ter baixa correlação com o índice, e isso vem sendo cada vez mais valorizado”, diz Luiz Felipe Amaral, gestor da Equitas.

Com cota mínima de R$ 25 mil, o fundo tem patrimônio de R$ 75 milhões. Segundo o gestor, vêm mantendo o ritmo de captação.

“Temos preocupação em gerar alfa. Buscamos não concentrar setores e papéis na carteira em nenhuma posição”, explica Amaral.

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