Tamanho do texto

Confirmação da terceira rodada de relaxamento quantitativo pelo Banco Central americano conduziu a moeda para o território negativo; dólar caiu 0,35%, cotado a R$ 2,021

Agência Estado

O dólar abriu esta quinta-feira em alta no mercado de balcão, mas a espera e a confirmação da terceira rodada de relaxamento quantitativo pelo Federal Reserve conduziram a moeda para o território negativo. O declínio do dólar ante o real, porém, foi mais ameno do que em relação à grande parte das divisas de elevada correlação com os preços das commodities, diante da percepção de que o Banco Central está a postos para intervenções.

De fato, conforme expectativa dos agentes financeiros, o BC consultou o mercado para verificar a demanda por swap cambial reverso. O Fed anunciou nesta quinta-feira nova rodada de compras de bônus , informando que vai comprar adicionais US$ 40 bilhões por mês em títulos lastreados em hipotecas, em um programa sem previsão de término. As compras podem aumentar se o mercado de trabalho do país não mostrar melhora.

Leia : Bovespa dispara 3,40% com Fed e incentivo fiscal no Brasil

O presidente do Fed, Ben Bernanke, disse que a situação do emprego continua sendo "grave preocupação". No mercado doméstico, o dólar à vista fechou a R$ 2,0210 no balcão, com queda de 0,35%. Na máxima, a moeda chegou a R$ 2,0300 e bateu R$ 2,0170 na mínima. O giro financeiro foi forte e somava US$ 2,489 bilhões (US$ 2,425 bilhões em D+2) perto das 16h30. Na BM&F, a moeda spot fechou em R$ 2,0195, com recuo de 0,37%. No mesmo horário, o dólar para outubro de 2012 estava cotado R$ 2,0255 (-0,37%).

O movimento do dólar no mercado doméstico esteve alinhado ao desempenho da moeda no exterior, alimentado pelo sentimento positivo dos investidores em escala global, que também conduziu o avanço dos índices acionários mundiais. A sondagem do BC brasileiro sobre a demanda por swap cambial reverso, operação equivalente à compra de dólares no mercado futuro, refreou apenas marginalmente o declínio da moeda norte-americana.

TambémBolsas fecham em baixa após comentário sobre Grécia

"Isso, porém, não significa que intervenções/sondagens do BC sejam ineficientes. Se não houvesse perspectiva de intervenção agressiva pelo BC, veríamos o real se valorizar muito mais. A perspectiva é que ajude a segurar um pouco (a queda)", disse um analista. No Brasil, ao anunciar nova rodada de desonerações, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisou que, se for necessário, o governo tomará novas medidas para enfrentar os efeitos do aumento de liquidez em face do QE3. "Se houver alguma entrada de recursos indesejados, tomaremos as medidas adequadas", disse.