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No mercado de balcão, o dólar à vista operava na mínima, a R$ 2,028, estável, depois de abrir em alta de 0,10%, a R$ 2,030

Agência Estado

O destino do dólar nesta quinta-feira será definido apenas à tarde, quando termina a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed). Caso o Banco Central dos Estados Unidos confirme as expectativas e sinalize que vai manter a taxa básica de juros em nível baixo por um período mais prolongado, até 2015, e/ou adote uma terceira rodada de relaxamento quantitativo (QE3), a moeda norte-americana está fadada à desvalorização, o que pode instigar novas intervenções do BC brasileiro. Do contrário, os mercados financeiros globais vão estressar e o câmbio doméstico tenderia a se afastar cada vez mais do piso, defendido pelo governo.

Por volta das 9h20, na BM&FBovespa, o contrato futuro do dólar para outubro caía 0,02%, a R$ 2,0325, na mínima, após subir 0,10%, a R$ 2,035, na máxima, e abrir estável, cotado a R$ 2,033. No mercado de balcão, o dólar à vista estava na mínima, a R$ 2,028, estável, depois de abrir em alta de 0,10%, a R$ 2,030, na máxima.

A diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, avalia, em relatório, que todo o foco dos mercados está no anúncio do Fed, às 13h30. Um pouco mais tarde, às 15h, será divulgada a atualização das projeções econômicas para os EUA e, às 15h15, o presidente da autoridade monetária, Ben Bernanke, concede entrevista coletiva. Antes, porém, serão divulgados nos EUA a inflação no atacado em agosto e os pedidos semanais de auxílio-desemprego. Os dados saem às 9h30.

"Caso não seja adotada uma ação concreta, como um QE3, os mercados devem estressar", avalia Miriam. "Porém, todos os sinais apontam para o anúncio de medidas efetivas, capazes de trazer um novo impulso à economia dos EUA", pondera. Com isso, os investidores operam em compasso de espera pelo desfecho da reunião, o que limita as movimentações do ativos de risco no exterior, mas mantém o dólar pressionado nas trocas com o iene e o euro.

Ainda no horário acima, a moeda única europeia subia a US$ 1,2910, de US$ 1,2899 no fim da tarde de ontem, enquanto o dólar recuava a 77,70 ienes, de 77,85 ienes na véspera. Entre as moedas emergentes, a moeda norte-americana subia 0,23% ante a australiana e 0,39% ante a rupia indiana, ao passo que perdia 0,06% e 0,38% ante os dólares canadense e neozelandês.

Internamente, um operador da mesa de câmbio de uma corretora paulista avalia que o dólar deve manter o sinal positivo exibido ontem na abertura dos negócios de hoje, mas tende a oscilar entre margens estreitas. "Como o dólar deve seguir acima do piso, não faz sentido o BC entrar", comenta, referindo-se à improbabilidade de novas atuações da autoridade monetária brasileira no mercado doméstico.

Porém, caso o Fed alimente o apetite ao risco, o BC pode voltar a intervir, se necessário, a fim de manter o dólar confinado no intervalo informal, entre R$ 2,00 e R$ 2,10, considerado pelos agentes financeiros como confortável para o governo.