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Com participação de 43% no principal índice do País, papéis dos setores financeiro, de transportes, varejo e construção superam o peso de ações de commodities (41%)

O mercado de ações brasileiro está deixando de ser tão centrado nas boas e velhas Petrobras e Vale. Ainda que as duas companhias continuem sendo as mais negociadas na maioria dos pregões, fazem parte de um grupo que está perdendo espaço no Ibovespa, o principal índice de ações do País. No lugar, ações de empresas voltadas ao mercado doméstico - dos setores financeiro, varejo, transportes e construção - vêm ganhando participação nos últimos anos.

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Atualmente, o grupo de companhias com atividade voltada ao mercado interno brasileiro soma um peso de 43% no Ibovespa, segundo levantamento do banco Santander a partir de dados da BM&FBovespa. Enquanto isso, as empresas voltadas ao mercado externo, como as que atuam nos setores de agronegócios, mineração e petróleo e gás estão atualmente com um peso de 41% no principal índice brasileiro.

Já as companhias consideradas “domésticas defensivas”, que são as que atuam nos setores de saúde, educação, telecomunicações, energia, saneamento e alimentação, têm uma participação de 16% no Ibovespa em setembro deste ano.

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“O Ibovespa está ficando mais perto do PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro,” afirma Marcelo Audi, diretor de ações do Santander. Segundo ele, a maior distribuição do peso do Ibovespa é saudável e mostra uma evolução. “Essa mudança mais recente mostra que o mercado ficou mais desenvolvido, com uma diversificação maior,” afirmou durante encontro com jornalistas, em São Paulo.

Ibovespa - Distribuição de setores por peso no índice

Em setembro de 2012

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Santander e BM&FBovespa

Audi acrescentou que é comum acontecerem mudanças na distribuição de pesos em índice de ações, em geral acompanhando momentos econômicos. Na década de 90, por exemplo, o setor de telecomunicações tinha forte presença na bolsa brasileira. Com isso, o grupo de ações domésticas defensivas tinha participação de quase 60% no Ibovespa. Nos anos 2000, as protagonistas passaram a ser as empresas voltadas ao mercado externo, principalmente de commodities, como Petrobras e Vale.

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Apesar da redução do peso do grupo de commodities nos últimos anos, o setor de petróleo e gás, representado principalmente por Petrobras e OGX, continua prevalecendo no Ibovespa, com uma participação de 17%. Em seguida estão os setores de mineração (14%), em que a Vale é o destaque, e financeiro (14%), que agrupa os papéis dos bancos.