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Após a redução de juros e desaceleração da economia no primeiro semestre, analistas acreditam que o País deve ser impulsionado por medidas de estímulo na segunda metade do ano e investidores migrarão para renda variável

O Brasil está em um momento propício para o investimentos em ações, na visão da equipe de analistas do banco Santander. Depois de ter passado por momentos favoráveis para renda fixa, quando os juros mais altos garantiam retornos maiores ao investidor, agora o País esta saindo dessa etapa e dando um passo em direção à recuperação da economia, o que tende a favorecer as ações negociadas em bolsa, segundo a equipe de análise de macroeconomia e investimentos do banco.

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Assim, a sugestão do banco para seus clientes é que se posicionem em ações neste momento, enquanto a maior parte dos investidores ainda não acredita na recuperação econômica. “Os brasileiros já estão sentindo um incômodo de ficar em renda fixa, mas ainda aguardam mais evidências da melhora da economia brasileira para irem para a bolsa,” diz Edurado Jurcevic, diretor de investimentos de pessoas físicas do Santander.

O banco acredita que esses sinais de recuperação estão para aparecer e que em breve deve acontecer uma migração de investidores de renda fixa para renda variável. “A volta para as ações acontece em períodos de melhora macroeconômica, e é isso que estamos vendo no segundo semestre,” disse Marcelo Audi, diretor de ações do Santander.

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, deve terminar 2012 entre 65 mil pontos e 70 mil pontos, nas projeções do Santander, pelo menos 10% acima dos atuais 59 mil pontos.

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Os setores que devem contribuir mais para os ganhos são aqueles mais voltados ao mercado doméstico. “Em nossa carteira de ações, estamos agressivos em quase todos eles, com exceção de varejo, que por questões próprias das empresas preferimos aguardar um melhor momento de entrada,” afirma Audi. Os papéis com maior peso na carteira do Santander são Kroton (educação), Cetip e Itau Unibanco (financeira), Eztec e Even (construção), Randon (bens de capital), Dasa (saúde), Cosan (agronegócio).

Recuperação no segundo semestre

Segundo Maurício Molan, as evidências de recuperação do crescimento econômico brasileiro já começam a ser mais perceptíveis neste mês, depois de um primeiro semestre em que o País teve avanços tímidos (de 0,1% no primeiro trimestre e de 0,4% de abril a junho). “Em agosto já tivemos aumento das vendas no varejo, da produção industrial, do consumo de energia e da produção de papel ondulado,” comenta Mauricio Molan, economista-chefe do banco. 

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A recuperação da economia brasileira deve começar neste semestre – com um avanço de 1,4% do PIB no terceiro trimestre e de 1,7% em todo o ano - e deve se manter por um tempo, na visão do economista. Na próxima década, ele espera que o Brasil terá um crescimento médio anual em torno de 3,5% e 4%. “Apesar do otimismo no curto prazo, o que é evidente em nossa expectativa de crescimento de 1,4% do PIB apenas no terceiro trimestre deste ano, nos próximos 10 anos devemos ficar em 4%, a não ser que tenhamos mudanças mais agressivas para o aumento da poupança doméstica e do investimento,” afirmou Molan.

O crédito também deve continuar fortalecido, com crescimento de 17% neste ano no total, e 18% para pessoas físicas. “Não acreditamos no discurso de que o crédito está diminuindo, que o consumo está desacelerando e que o Brasil está estagnado,” afirmou Molan.

Efeitos retardados das medidas de política monetária que vêm sendo tomadas no Brasil desde o ano passado também devem contribuir para a retomada econômica já neste semestre, segundo os analistas. “Já neste terceiro trimestre estamos tendo impacto pleno dos estímulos,” comentou Audi.

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Ao mesmo tempo, o juro básico brasileiro em um patamar mais baixo deve puxar o consumo para cima e a inadimplência para baixo, afirma a equipe do Santander. Enquanto isso, a inflação deve continuar em alta, com o IPCA atingindo 5,4% neste ano e 6,1% em 2013, segundo as projeções do banco. Isso não significa, entretanto, aumento dos juros já no ano que vem, dizem os analistas. “A gente acredita que existe espaço para a retirada de mecanismos de estímulo, o que deve manter a inflação alta, mas perto da meta, sem exigir o aumento dos juros,” afirmou Molan, que prevê a Selic a 7,5% ao ano em 2012 e 2013.