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Movimento encontrou amparo na percepção melhor sobre o cenário externo, bem como nas declarações vindas da equipe econômica de que não será preciso elevar a Selic em 2013

Agência Estado

As taxas futuras de juros operaram com viés de alta praticamente durante toda esta segunda-feira sobretudo nos vencimentos longos. O movimento encontrou amparo, segundo profissionais do mercado de renda fixa, na percepção um pouco melhor sobre o cenário externo, bem como nas declarações vindas da equipe econômica de que não será preciso elevar a Selic em 2013. Com isso, o efeito dos cortes no custo da energia elétrica, a serem anunciados na terça-feira sobre as taxas foram contrabalançados.

Há ainda um suporte técnico, vindo dos leilões de títulos públicos desta semana, sobretudo em relação à operação de troca de NTN-Bs (papéis remunerados pelo IPCA). Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (139.680 contratos) estava em 7,30%, de 7,28% no ajuste. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (200.870 contratos) marcava 7,81%, ante 7,82% na quinta-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (32.435 contratos) indicava 9,13%, de 9,09%. O DI janeiro de 2021, com giro de 1.950 contratos, apontava 9,69%, de 9,65% no ajuste anterior.

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O sócio gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, chamou também a atenção para as declarações do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, e seus efeitos para o trecho curto da curva de juros. "Se não quer elevar a Selic em 2013, também não há muito espaço para cortar agora", disse Petrassi em referência à entrevista de Barbosa ao jornal Folha de S.Paulo, na qual ele disse que "não será preciso subir" a taxa básica de juros (Selic) em 2013.

No Boletim Focus divulgado logo cedo pelo Banco Central, os analistas voltaram a elevar suas projeções de inflação para 2012 (de 5,20% para 5,24%) e para 2013 (5,51% para 5,54%). Para a Selic no fim de 2013, a projeção recuou de 8,50% para 8,25%, enquanto a projeção de 7,25% para 2012 foi mantida. Mas as projeções para a inflação de 2013 podem sofrer ajustes nas próximas medições. Na quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff adiantou que o governo vai reduzir em 16,2%, em média, o preço da energia elétrica para os consumidores residenciais, enquanto que para a indústria o corte será de até 28%.

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O impacto disso para o IPCA deve ser de cerca de 0,55 ponto porcentual, segundo economistas. Em relação ao exterior, um outro operador argumentou que o avanço de boa parte das commodities industriais no mercado internacional sustentam as taxas de longo prazo. As justificativas para o avanço das matérias-primas metálicas, por exemplo, vêm de China e Estados Unidos.

No caso do gigante asiático, houve a aprovação de um pacote de 60 projetos ligados à infraestrutura, avaliados em mais de US$ 110 bilhões e que podem resultar em aumento de demanda. Sobre os EUA, o Federal Reserve termina na quinta-feira sua reunião de política monetária e os agentes seguem esperando o anúncio de estímulos. No campo técnico, os players podem estar segurando as taxas em virtude dos leilões desta semana.

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O Tesouro fará, amanhã, leilão de venda de NTN-B e resgate antecipado desse papel. Na quarta-feira, haverá leilão de troca de NTN-B e a quinta-feira trará venda de LFT e LTN. No último leilão de troca de NTN-B, realizado em 15 de agosto, houve demanda considerável e o volume financeiro foi de quase R$ 15 bilhões.