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Taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 estava em 7,28%, de 7,27% no ajuste. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 tinha máxima de 7,82%, ante 7,79% na véspera

Agência Estado

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) dividiu o mercado em relação à condução da taxa básica de juros em outubro. Por isso mesmo, as taxas curtas, que já estavam no meio do caminho entre um novo corte de 0,25 ponto porcentual, para 7,25%, e a manutenção no atual patamar, de 7,50% ao ano, praticamente não se moveram. Os vencimentos intermediários e longos, no entanto, tiveram reação inicial de baixa, sob a visão de que o ciclo, se não acabou, está mesmo perto do fim, o que exigiria apertos menores no futuro. Mas quando o Banco Central Europeu (BCE) espalhou euforia pelos mercados de risco ao anunciar o tão esperado programa de compra de bônus, estes vencimentos passaram a subir.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (264.380 contratos) estava em 7,28%, de 7,27% no ajuste. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (283.620 contratos) marcava máxima de 7,82%, ante 7,79% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (55.435 contratos) indicava 9,09%, também na máxima, de 9,04% na véspera e mínima, mais cedo, de 8,99%. O DI janeiro de 2021, com giro de 3.685 contratos, apontava 9,65%, de 9,60% no ajuste e mínima de 9,54%.

Um levantamento do AE Projeções mostra bem como a ata deixou o mercado dividido. Uma consulta junto a 32 instituições revelou que metade delas acredita que o ciclo de aperto monetário foi encerrado em agosto. A outra metade prevê ainda um corte derradeiro de 0,25 ponto porcentual no encontro de outubro.

No documento, o BC reconheceu um cenário que incorpora o efeito do recente choque de oferta no segmento de commodities agrícolas, o que geraria alguma pressão inflacionária. A análise da autoridade monetária é a de que esse choque tende a ser menos intenso e menos duradouro do que o ocorrido em 2010/2011, bem como tende a se reverter no médio prazo. Até por isso, o Copom ainda avalia que a situação do cenário externo é desinflacionária no médio prazo. O documento indicou que a inflação convergirá para a trajetória da meta, ainda que não linearmente e não com rapidez.

Em relação ao comportamento da economia, o Copom avalia que a recuperação da atividade econômica doméstica "tem se materializado de forma gradual". Por outro lado, destaca que o cenário central "contempla ritmo de atividade mais intenso neste semestre e no próximo ano". O Comitê identifica recuo na probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, mas, ao mesmo tempo, "pondera que o ambiente externo permanece complexo, dada a ausência de solução definitiva para a crise financeira europeia e os riscos associados ao processo de desalavancagem - de bancos, de famílias e de governos - ora em curso nos principais blocos econômicos".

Mas essa última avaliação pode ter mudado parcialmente na manhã desta quinta-feira. Por mais que não seja uma solução definitiva, o programa anunciado pelo BCE, segundo operadores, mudou um pouco as perspectivas. A autoridade europeia irá comprar bônus soberanos no mercado secundário, no que chamou de transações monetárias completas (MOT, na sigla em inglês). As compras, porém, estão atreladas ao pedido de resgate financeiro por parte dos países endividados.