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Contratos para janeiro de 2014 indicam taxa de 7,78%, levemente acima do nível de 7,75% registrado no ajuste de segunda-feira

Agência Estado

Os contratos futuros para janeiro de 2013 apontam taxa de 7,26%, de 7,25% no ajuste de ontem, enquanto os contratos para janeiro de 2014 indicam taxa de 7,78%, levemente acima do nível de 7,75% registrado no ajuste de ontem. A alta marginal confirma a expectativa de que o dado da produção industrial não geraria recomposição forte de prêmios, mas apenas correção da queda das taxas registradas no pregão de ontem.

Produção industrial cresce 0,3% em julho, segundo IBGE

A produção subiu 0,3% em julho em relação a junho e superou a mediana das previsões dos analistas consultados pelo AE Projeções (0,20%), além de ter mostrado aceleração após o aumento de 0,2% em junho. O dado tem o respaldo de uma evolução de 1% da produção de bens de capital no comparativo de julho com junho. Os números confirmam um ritmo lento da produção no primeiro mês deste semestre que prometia ser mais vigoroso.

Mas o recuo das taxas futuras de curto prazo do dia anterior cria um ambiente para recomposição dos prêmios. Ontem, o mercado chegou a precificar 0,20 ponto porcentual de queda da Selic para o encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) em outubro. Mas os dados da produção não desviam o foco da ata do Copom, na qual o Banco Central terá a oportunidade de dar continuidade ao raciocínio do comunicado, no qual adotou uma postura mais conservadora.

No dado divulgado pelo IBGE, a produção de veículos subiu 4,9% em julho em comparação a junho e teve o efeito mais expressivo entre as principais contribuições positivas para a taxa de 0,3% do mês. Como esperavam os analistas, a produção de veículos já começa a refletir os efeitos da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos novos, adotada pelo governo em maio e que foi prorrogada até outubro. O levantamento apontou ainda que a produção de bens de capital registrou alta de 1% em julho contra junho, um referencial importante para se avaliar a disposição dos empresários em relação ao horizonte futuro de investimentos.

"O dado (da produção) pode justificar recomposição de taxas na abertura dos negócios, especialmente após a queda de ontem. (O indicador) foi marginalmente mais forte", comentou um operador de uma corretora do Rio de Janeiro. "Na realidade, o erro da curva foi o fechamento de ontem, com baixo volume. Especulou-se que alguém poderia ter tido acesso ao dado antecipadamente, mas o resultado da produção superou a previsão", ressaltou outro operador, observando que a curva chegou a precificar corte de 0,20 pp da Selic para outubro.

Além do dado da produção, a Fipe divulgou hoje o IPC de Agosto, que registrou inflação de 0,27%, acima do 0,13% da leitura de julho. Já o IPCA voltou a subir com força no levantamento diário da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice, no critério ponta, saiu de 0,48% no dia 31 de agosto para 0,58% no dia 1 de setembro, com o grupo de alimentos e bebidas acelerando de 1,05% para 1,45%, de acordo com uma fonte que teve acesso ao dado.

O contraponto para esses dados é a confiança do empresário do comércio, que caiu 4% no trimestre encerrado em agosto, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em julho, a queda havia sido de 3,4% na mesma base de comparação. O dado captura, especialmente, um pessimismo maior com a situação atual da economia.

Do exterior, o mercado de juros herda um clima cauteloso, com bolsas europeias em baixa e futuros de Nova York perto da estabilidade. No segmento das commodities, o petróleo está estável, enquanto os contratos futuros de soja fecharam com ganhos nesta terça-feira na Bolsa de Dalian, na China, estendendo a valorização de ontem, puxados por compras especulativas. Entre as outras commodities, o café subia 1,18% e o açúcar, 0,35%.