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Marca de luxo também informa que em 10 de julho tinha entrado com processo porque a LVMH passou de 20% de participação sem dar mais detalhes

Reuters

LVMH é controlada pelo bilionário Bernard Arnault, o homem mais rico da França
Getty Images
LVMH é controlada pelo bilionário Bernard Arnault, o homem mais rico da França

A Hermès pediu nesta terça-feira a procuradores da França que abrissem uma investigação contra a concorrentre LVMH por suposto uso de informação privilegiada e manipulação de ações, no mais novo capítulo da longa saga entre as duas fabricantes francesas de produtos de luxo.

A LVMH, sob a gestão do bilionário Bernard Arnault, vem gradualmente aumentando a presença na Hermès desde que surpreendeu o mercado em 2010 ao anunciar que já tinha 17% das ações.

A Procuradoria informou nesta terça que, em decorrência de uma queixa da Hermès em julho, pediu o parecer da reguladora mobiliária francesa AMF para concluir se era ou não necessário abrir uma investigação criminal.

Também nesta terça, a Hermès informou que em 10 de julho tinha entrado com processo porque a LVMH passou de 20% de participação sem dar mais detalhes.

"É a consequência natural das dúvidas sobre como a LVMH entrou no capital", disse uma porta-voz da Hermès à Reuters.

A LVMH, que tem 22,3% da Hermès e 16% dos direitos de voto, reagiu e disse que planejava dar queixa por "chantagem, difamação e competição desleal" e ressaltou que a compra de participação era "perfeitamente legal".

A LVMH, que sempre disse que as aquisições não eram hostis, comprou as ações em uma série de operações em dinheiro sem declarar valores mobiliários negociados e detidos, estimulando a reguladora francesa a abrir uma investigação em novembro de 2010.

A autoridade mobiliária se negou a comentar o andamento da investigação e o processo de autoria da Hermès.

A LVMH disse esperar a conclusão dos investigadores com "total serenidade" e que a Hermès quer fazer o papel de autoridade sem esperar o resultado da investigação.

A família Hermès reagiu à compra das ações criando uma holding majoritária para proteger a companhia do risco de uma oferta hostil.

(Por Thierry Lévêque e Dominique Vidalon; reportagem adicional de Pascale Denis)