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Investidores mostraram cautela após dados indicarem que a atividade manufatureira dos Estados Unidos contraiu-se pelo terceiro mês; moeda acabou cotada a R$ 2,043 na venda

Reuters

O dólar encerrou em alta pela segunda sessão seguida nesta terça-feira, com investidores cautelosos após dados mostrarem que a atividade manufatureira dos Estados Unidos contraiu-se pelo terceiro mês. Pesaram também incertezas sobre como o Banco Central Europeu (BCE) irá lidar com a crise na região.

A moeda norte-americana fechou com valorização de 0,52%, cotada a R$ 2,0430 na venda, próxima da máxima da sessão, de R$ 2,0445. A mínima foi de R$ 2,0291, logo no ínicio do pregão.

"Nos Estados Unidos foi mais do mesmo, com números nada alentadores, ainda há alguma expectativa de o Fed possa fazer um quantitative easing. Na Europa, continua a possibilidade de que o BCE possa comprar títulos da Itália e da Espanha, mas há muita incerteza", disse o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros.

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Os mercados externos pioraram depois que o Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM, na sigla em inglês) informou que o índice nacional de atividade manufatureira dos Estados Unidos caiu para 49,6 em agosto ante 49,8 em julho, no terceiro mês seguido de contração.

Apesar de os dados aumentarem as preocupações sobre a recuperação da economia global, eles também podem alimentar as esperanças de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, lance uma terceira rodada de compra de títulos a fim de estimular o crescimento do país.

O programa, também conhecido como "quantitative easing", consiste numa impressão de dinheiro novo para compra de títulos, que injetaria liquidez nos mercados financeiros e poderia pressionar o dólar para baixo, já que parte dessa liquidez pode ser destinada para países emergentes como o Brasil.

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Na Europa, investidores se mantinham cautelosos à espera da reunião do Banco Central Europeu na quina-feira, quando podem ser dados mais detalhes sobre o plano de compra de títulos de países endividados da região.

Dúvidas sobre a capacidade das lideranças europeias chegarem a um consenso para implementar as reformas necessárias ao fim da crise pesaram sobre o euro. Às 17h57 (horário de Brasília), a moeda norte-americana subia 0,17% ante uma cesta de divisas. O euro, por sua vez, recuava 0,25% ante o dólar.

Captações externas

Apesar da alta do dólar nas duas primeiras sessões deste mês, a moeda norte-americana poderá recuar nos próximos dias se empresas que obtêm financiamento no exterior resolverem trazer esses recursos para o mercado interno.

A Vale foi a primeira grande companhia a se lançar no mercado internacional de capitais após o fim das férias no hemisfério norte. A maior produtora de minério de ferro do mundo emitiu nesta terça-feira 1,5 bilhão de dólares em bônus com prazo de 30 anos.

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"A Vale está fazendo uma captação grande hoje e isso traz pressão para o dólar, mas precisamos ver também se não ocorrerão outros fatores que irão compensar essa entrada de recursos", disse Medeiros.

Nos próximos dias, o governo brasileiro também pode vender títulos globais de 10 anos, de acordo com o secretário do Tesouro, Arno Augustin.