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Pacote de concessões para infraestrutura e perfil defensivo favorecem concessionária, e varejista pode se beneficiar de inflação e expansão do consumo, dizem especialistas

Expansão do consumo no Brasil deve beneficiar ações do grupo Pão de Açúcar
AE
Expansão do consumo no Brasil deve beneficiar ações do grupo Pão de Açúcar

Os papéis da concessionária CCR e os da varejista Pão de Açúcar são os mais presentes nas carteiras recomendadas para setembro das corretoras, com cinco indicações cada um, de dez casas consultadas. Por outro lado, Vale e Petrobras, outrora ‘queridinhas’ do mercado, seguem perdendo terreno, devido à percepção de que o cenário global está pressionando os exportadores de commodities. Ainda assim, as duas “blue chips” não desapareceram totalmente da lista das mais apontadas, com quatro e três indicações, respectivamente.

As ações da CCR estão entre as preferidas das corretoras desde maio, graças a seu perfil defensivo, ou seja, por ter papéis cuja performance não é tão afetada pelo vai-e-vem dos mercados. Segundo relatório enviado pelo BTG Pactual a clientes, as ações da concessionária podem ter uma exposição positiva à infraestrutura no Brasil. Vale lembrar que, no mês passado, o governo anunciou um pacote de investimentos de R$ 133 bilhões para concessões de rodovias e ferrovias.

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Já a rede varejista Pão de Açúcar deve ser beneficiada pela expansão do consumo no Brasil, de acordo com o BTG e a Planner Prosper. “O GPA está muito bem posicionado no segmento de alimentação para o varejo, e está ganhando participação no mercado sobre seus concorrentes, enquanto está aumentando seus lucros”, afirma o relatório do banco, que lembra ainda que a empresa do ramo de consumo pode se beneficiar também da alta dos preços dos alimentos.

A Planner Prosper ressalta o crescimento da demanda interna para explicar a indicação às ações do Pão de Açúcar. “Com base nesse cenário, acreditamos que as empresas focadas no mercado brasileiro tendem a ser beneficiadas, como é o caso do Pão de Açúcar”, afirma o documento. Já o HSBC destaca o impacto positivo sobre as operações do Pão de Açúcar decorrente da troca de comando no grupo, que passou às mãos do Casino. “Nossos analistas (...) acreditam que a administração deverá acelerar o crescimento da área de varejo de alimentos, que cresceu de forma modesta nos últimos anos”, indica o relatório.

Cautela nos mercados

De uma forma mais ampla, a bolsa de valores brasileira deve seguir pressionada por um comportamento de cautela e sob influência do exterior, como ocorreu no mês passado. Em agosto, circularam notícias sobre uma ação dos bancos centrais para ajudar a estimular a economia dos principais mercados internacionais, e as bolsas ficaram à mercê dessas especulações. Para setembro, os investidores aguardam, no próximo dia 6, decisão do Banco Central Europeu sobre a taxa de juros, em uma reunião em que a autoridade monetária da zona do euro pode aproveitar para anunciar medidas de estímulo.

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O HSBC lembra ainda que o mercado estará atento à decisão da Corte Alemã sobre a constitucionalidade do fundo permanente de resgate europeu, que será votada em 12 de setembro. “Uma decisão contrária poderá gerar pessimismo nos mercados”, lembra o relatório. Todos esses fatores vão influenciar a bolsa, que “seguirá influenciada principalmente pelos eventos externos, como a discussão para novos incentivos à economia norte americana na metade do mês e comportamento dos indicadores na China, Europa e Estados Unidos”, afirma a Planner Prosper em seu relatório.

Por outro lado, nos Estados Unidos ainda paira a incerteza sobre uma ação mais contundente por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A equipe de analistas do HSBC vê “uma boa chance de que a Comissão do FOMC dê início a um novo programa de compras de ativos, incluindo possivelmente títulos lastreados em hipotecas, bem como Treasuries (títulos do Tesouro americano).”

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Já no Brasil, os investidores aguardam “os novos anúncios de medidas de estímulos do Governo, tanto do plano de concessões, quanto das mudanças esperadas para o setor de energia”, afirma o HSBC.

Ações mais recomendadas para setembro

CCR - 5

Pão de Açúcar - 5

BR Malls - 4

RaiaDrogasil - 4

Vale - 4

AmBev - 3

Itaú Unibanco - 3

Petrobras- 3

Cosan - 3

Banco do Brasil - 2

Gerdau - 2

Hering - 2

Odontoprev - 2

OHL Brasil - 2

Tim Participações - 2

Ultrapar - 2

Duratex - 2

Kroton - 2

As corretoras e gestoras consultadas pelo iG foram BTG Pactual, Planner Prosper, Rico Investimentos, Citi, Souza Barros, Walpires corretora, Um Investimentos, HSBC, Win Trade e Ágora.

Agosto

No mês passado, as ações mais recomendadas tinham sido as da Vale (8), BR Malls (5), CCR (5), Petrobras (5), AmBev (4), Cemig (4), Eztec (4), Pão de Açúcar (4), Duratex (3), Kroton (3), Lojas Americanas (3), Odontoprev (3), OHL Brasil (3), RaiaDrogasil (3), Anhanguera (2), Banco do Brasil (2), Bradesco (2), Cia. Hering (2), Itaú Unibanco (2), Multiplan (2), Multiplus (2), Sabesp (2), Tim Participações (2), Ultrapar (2) e Valid (2).

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