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Segundo operador, tendência do real é de valorização, pelas expectativas de retomada das captações externas e intenção de Fed e BCE em reativar economias dos EUA e da Europa

Agência Estado

Setembro começa com a mesma sina que vem marcando o mercado cambial doméstico nos últimos meses: o intervalo de oscilação do dólar entre um piso de R$ 2,00 e um teto de R$ 2,10. Com o fim das férias de verão (no Hemisfério Norte) e a iminência de novos estímulos econômicos por parte dos Bancos Centrais norte-americano (Federal Reserve) e europeu (BCE), boa parte dos analistas começa a questionar se essa banda informal não será testada em breve. Ainda assim, o monitoramento da autoridade monetária brasileira torna mais difícil essa tentativa.

Por volta das 10h15, na BM&F Bovespa, o contrato futuro do dólar para outubro era negociado na mínima, com queda de 0,049%, a R$ 2,039, após abrir em alta e subir 0,17% na máxima, a R$ 2,042 (+0,17%). No mercado de balcão, o dólar à vista iniciou a sessão com valorização de 0,15%, a R$ 2,033, mas era cotado com leve alta de 0,05%, a R$ 2,031, no mesmo horário. Um operador de tesouraria de um banco local resume as perspectivas dos agentes financeiros para o início deste novo mês.

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Segundo ele, a tendência para o real é de apreciação, diante das expectativas de retomada das captações externas - tanto pelo governo quanto por grandes empresas brasileiras - e também da disposição do Fed e do BCE em reativar as economias dos Estados Unidos e da zona do euro, respectivamente. "Isso pode levar o dólar cada vez mais perto do piso", comenta. Contudo, resta saber se o governo brasileiro e o Banco Central vão permitir que a moeda norte-americana caía abaixo de R$ 2,00, diante das inúmeras declarações e intervenções defendendo uma direção contrária.

Em contrapartida, o profissional, que falou sob a condição de não ser identificado, não vê razões para o real se depreciar até o teto de R$ 2,10 ante o dólar. Esse horizonte, porém, é para o decorrer de setembro, com as atenções voltadas para os eventos que acontecem nessas duas primeiras semanas no exterior. Entre os destaques, está a divulgação do relatório do mercado de trabalho norte-americano (payrroll), na sexta-feira; a reunião de política monetária do BCE, na quinta-feira; a decisão da Corte alemã sobre o fundo de resgate europeu (ESM), na quarta-feira que vem, mesmo dia em que encerra a reunião de política monetária do Fed.

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Nesta segunda-feira, porém, a expectativa é de liquidez enxuta e volatilidade reduzida, por causa do feriado nos EUA pelo Dia do Trabalho. A data marca o fim das férias de verão no Hemisfério Norte. Em Nova York, no horário acima, o euro estava praticamente estável, a US$ 1,2574, em relação ao fechamento da sexta-feira.

Entre as moedas correlacionadas com commodities, o comportamento lateral do dólar norte-americano se repetia ante o dólar canadense e a rupia indiana, mas a moeda dos EUA exibia altas de 0,55% e de 0,38% ante os dólares australiano e neozelandês, respectivamente. Essas moedas reagem aos dados de atividade em países asiáticos, como China e Austrália, divulgados durante o fim de semana.