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Investidores aguardam reunião de política monetária do Banco Central Europeu, programada para quinta-feira, e seus possíveis desdobramentos sobre o futuro do bloco econômico

Agência Estado

Os mercados financeiros no mundo retomam os negócios na primeira semana de setembro, que marca o fim das férias de Verão no Hemisfério Norte, na expectativa em torno da reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), programada para quinta-feira, dia 6.

O foco dos investidores é se o presidente do BCE, Mario Draghi, irá oferecer detalhes sobre uma possível compra de títulos da dívida pública de países do euro em dificuldade ou sobre outras medidas de estímulo monetário, como a redução de taxas de juros. A decisão do BCE será o teste para a continuação dos ganhos recentes das bolsas de valores mundiais.

As declarações de Draghi serão determinantes para alimentar ou desestimular o apetite a risco. Ao longo do mês de agosto, com um fraco calendário de eventos, como reuniões de cúpulas de líderes europeus, a falta de notícias negativas abriu espaço para recuperação de ativos de risco, como ações de empresas listadas em bolsas de valores, de moedas de países emergentes e de commodities.

A bolsa de Madri, por exemplo, teve um ganho de 16,4% em agosto; a de Frankfurt subiu 5,5%; e a Bovespa avançou 2,78%. O fôlego desses ganhos dependerá de os bancos centrais, em especial o BCE e o Federal Reserve (Fed), anunciarem medidas de intervenção para injetar liquidez na economia mundial.

A reunião de política monetária do BCE vem no rastro do discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, em Jackson Hole na última sexta-feira, 31. No evento, Bernanke deixou as portas abertas para mais estímulos econômicos, mas não ofereceu detalhes sobre uma nova rodada de afrouxamento quantitativo, o QE3.

O suspense foi transferido para a reunião de política monetária do Fed, marcada para o dia 13 de setembro. Nesse ínterim, as expectativas do mercado com relação a políticas de injeção de liquidez recaem agora sobre Draghi. Uma nova decepção pode azedar o humor dos investidores, deflagrando um sentimento de aversão ao risco e de correção nos preços dos ativos.

Ceticismo

Analistas de bancos de investimentos estrangeiros demonstram ceticismo sobre um eventual anúncio de um programa de compra de dívida soberana pelo BCE na quinta-feira. Há avaliações de que Draghi pode não oferecer respostas específicas sobre o tema antes do dia 12, quando a Corte Constitucional da Alemanha vota pela aprovação ou não da criação de um fundo de resgate permanente europeu (ESM, na sigla em inglês) e sobre a flexibilidade da atuação desse fundo.

Como há grande expectativa entre líderes da zona do euro em relação à decisão da Corte alemã, "não acreditamos que o BCE apresentará um plano detalhado (para um programa de compra de dívida) antes do dia 12", afirmaram economistas do banco ING em nota a clientes.

Já o analista sênior do banco Danske Bank, Peter Posing Andersen, acredita que as expectativas do mercado sobre um eventual anúncio de medidas concretas por Draghi vêm diminuindo nos últimos dias. "O BCE deve esperar pela Corte Constitucional da Alemanha? O ESM ou a EFSF (Linha de Estabilidade Financeira Europeia) teria que comprar títulos antes de o BCE ativar o programa?", indaga Andersen, em relatório enviado a clientes.

Para ele, os investidores certamente ficarão bastante decepcionados se Draghi, novamente, não entregar o que vem prometendo, ou seja, "detalhes significativos" de medidas de estímulo.

A credibilidade de Draghi foi minada quando, depois de prometer fazer "o que for necessário" para salvar o euro, o presidente do BCE frustrou os mercados deixando de anunciar medidas concretas na reunião de política monetária do dia 2 de agosto.

Por outro lado, os estrategistas do banco Barclays, Guillermo Felices, Philippe Gudin e Julian Callow, avaliam não só que é possível que Draghi traga detalhes do programa de compra de bônus, mas também destacam a probabilidade de que ele defenda novas medidas de ajuda a bancos. Com isso, entendem que há uma tendência positiva para a tomada de risco.