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BlackRock, BB DTVM e SLW reduzem exposição da mineradora por causa da queda do preço do minério de ferro, mas expectativa é que volte a subir no segundo semestre

Funcionário da Vale mostra minério de ferro, que serve de base para produção de aço
AE
Funcionário da Vale mostra minério de ferro, que serve de base para produção de aço

Após suas ações preferenciais registrarem queda de 9,44% neste ano — 8,27% apenas neste mês — a Vale está perdendo espaço nas carteiras de gestoras de recursos e de corretoras. Na sexta-feira, a BlackRock anunciou que vendeu os papéis, devido à queda livre por que passam os preços do minério de ferro. “As cotações caíram na China mais rapidamente do que imaginávamos”, disse o gestor de fundos Will Landers, que administra aproximadamente US$ 6 bilhões em ações da América Latina na BlackRock. “Estamos neutros na Vale”, acrescenta. O movimento acontece três meses depois de Landers afirmar que a Vale era a ação “mais óbvia” para se comprar no Brasil, à medida que o enfraquecimento do real impulsionava os lucros da empresa.

A gestora BB DTVM também reduziu exposição à produtora de minério de ferro. De acordo com Carlos Frederico Valladares, gerente de divisão de fundos de ações ativos, a queda se deve ao mesmo motivo. “Nossa posição não é mais comprada (acima da média do que fazem os concorrentes) no papel. Mas a perspectiva ainda é boa, por isso a ideia é voltar a comprar Vale”, acrescenta.

Wanderlei Mendonça, gerente de divisão de fundos de ações indexados da BB DTVM — que administra três compostos apenas por papéis da Vale, que somam patrimônio de R$ 1,1 bilhão —, diz que os investidores estão esperando uma retomada dos preços das ações. Apesar do recuo na bolsa, a captação está apenas ligeiramente negativo neste ano.

Também a corretora SLW retirou as ações da companhia da carteira desta semana, por causa dos preços do minério de ferro. Em substituição, incluíram as ações PNB da Cesp.

Hoje, o preço à vista de minério de ferro está na casa dos US$ 100 a tonelada, menor patamar desde dezembro de 2009, de acordo com os especialistas. No entanto, a expectativa é que volte a subir. De acordo com Eduardo Miziara, gestor de renda variável da Capitânia, a produção de aço na China até julho indicava 700 milhões de toneladas ano, o que significa manutenção do patamar em relação ao ano passado. Isso representa uma demanda de 1,1 bilhão de toneladas de minério de ferro, sendo 700 milhões de toneladas de companhias transaoceânicas — como Vale e BHP — e o restante de mineradoras locais. Miziara espera que os preços voltem a subir para algo entre US$ 120 e US$ 130 a tonelada. Na Capitânia, a Vale perdeu espaço há um ano para empresas de saúde e educação. “Hoje, não vemos motivos para aumentar nem para diminuir.”

Bruno Piagentini e Marco Aurélio Barbosa, analistas da Coinvalores, mantém recomendação de compra para os papéis, apesar de terem revisado para baixo o preço alvo das ações. De qualquer forma, em 12 meses, a expectativa é de alta de 53,3% dos papéis para R$ 52. “Um fator que pode ser preocupante é se houver revisão dos investimentos da Vale em 2012 e 2013, previstos em US$ 21,4 bilhões. A BHP já revisou. Pode ser que a mineradora brasileira faça o mesmo por causa dos preços do minério de ferro”, avisam.

Luiz Franscisco Caetano, analista da Planner Prosper, lembra ainda que a Vale tem enfrentado problemas conjunturais, tais como a possibilidade de revisão dos royalties de minério — que pode gerar um prejuízo de quase R$ 5 bilhões — além da questão com a Receita Federal referente a imposto de operações no exterior que pode significar multa de R$ 30 bilhões. “Não é à toa que os investidores têm deixado os papéis de lado, reduzindo a exposição”, afirma o especialista, que reviu, na sexta-feira, o preço-alvo das açõs da empresa, de R$ 58 para R$ 45 em 12 meses.

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