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Gestora de R$ 7,5 trilhões em ativos diz que economias emergentes e EUA estão perdendo o impulso e faz sugestões de investimentos em um cenário de crescimento mais lento

A economia global deve ficar praticamente estagnada no segundo semestre, na visão de analistas da BlackRock, gestora de R$ 7,5 trilhões em ativos. Eles acreditam que a chance de um cenário de estagnação para o mundo, com os Estados Unidos e as economias emergentes perdendo vigor no crescimento, é de 40% a 45%. O cenário esperado por eles compreende ainda a recessão europeia e uma dificuldade maior de obtenção de crédito para quem precisa.

“Os mercados emergentes já começaram a flexibilizar [suas políticas monetárias] e ter mais espaço para avançar, mas os mercados desenvolvidos estão ficando sem balas,” comentam os analistas sobre sua visão para o segundo semestre deste ano. Eles dizem ainda que os bancos globais estão “derramando” ativos, enquanto os governos desenvolvidos estão “apertando os cintos”.

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A BlackRock também vê uma deterioração da confiança de negócios e nos investimentos e acredita que os lucros corporativos já parecem estar em seus picos. “Essas forças estão levando a uma condição próxima de recessão,” dizem no relatório “Standing Still ... But Still Standing,” em que revisa suas perspectivas para o cenário global neste ano.

Antes, os analistas previam que a maior probabilidade para o mundo em 2012 era de um cenário que chamam de "divergente", com as economias emergentes em destaque, a Europa se recuperando lentamente  e a China em um momento de recuperação. Agora, acreditam que este ambiente tem uma chance menor de se realizar no segundo semestre, com probabilidade de 35% a 40%, principalmente após o crescimento dos países emergentes ter ficado mais lento e a situação europeia nao ter melhorado.

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Semestre de políticas

Em um resumo da situação global para os próximos seis meses do ano, os analistas dizem que veremos pela frente muita política. “O segundo semestre de 2012 parece ser dominado por três fatores: política, política e política,” afirmam. Na Europa, dizem, os políticos estão trabalhando para acabar com o drama da dívida ao tentar reestabelecer o crescimento. Os Estados Unidos, enquanto isso, “enfrentam um enfraquecimento da economia e um ‘precipício fiscal’, com “aumentos automáticos de impostos” e cortes de gastos.

Já a situação brasileira é resumida pelos analistas da gestora por seus esforços para flexibilizar a política monetária para tentar reanimar o crescimento, ao mesmo tempo em que ergue barreiras comerciais.

Na Ásia, a BlackRock destaca que o Japão está lutando por sua moeda e aumentando os déficits comerciais, enquanto a China está tentando direcionar sua economia para o consumo interno ao mesmo tempo em que luta para manter o crescimento. Já a Índia está presa em uma espiral descendente de paralisia política e grandes déficits,” afirmam os analistas.

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Por outro lado, eles veem como positivo o fato de os preços das commodities e da energia estarem menores, o que pode impulsionar a economia.

Investindo em um mundo em crise

Como dicas para investir em um cenário global de estagnação, os analistas citam a formação de uma carteira defensiva, com foco em obtenção de uma renda, a busca por oportunidades de aplicações que devem ter bom desempenho num horizonte de cinco anos. “Evite um período de três a seis meses de investimento, pois incertezas políticas pode fazer disso um perigo.”

Também está entre as sugestões para investidores globais a aposta em ativos ligados a preços em mercados emergentes, onde, segundo a previsão dos analistas, a flexibilização da política pode resultar em inflação.

Para ações, a recomendação também é buscar emergentes e empresas com fluxos de caixa fortes e um histórico de dividendos crescentes. Em renda fixa, a Black Rock recomenda a dívida de países emergentes em detrimento de títulos soberanos de países desenvolvidos do ocidente ou do Japão.

Entre outras alternativas, citam ainda fundos de private equity com foco e energia.