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"Eu não estou feliz de estar onde estou, como vocês podem imaginar", disse Marcus Agius sobre o escândalo que derrubou o presidente do banco inglês na última semana

Reuters

Bob Diamond, ex-presidente do Barclays
AP Photo/Lefteris Pitarakis
Bob Diamond, ex-presidente do Barclays

Bob Diamond, ex-presidente-executivo do Barclays, abriu mão de bônus avaliados em até 20 milhões de libras (US$ 30 milhões de dólares ou R$ 63 milhões), seguindo sua dramática renúncia em meio ao escândalo de manipulação de taxas de juros, disse o chairman do banco em depoimento no Parlamento britânico nesta terça-feira.

Marcus Agius, o homem forte do Barclays quando operadores da instituição manipularam a taxa Libor, benchmark de juro interbancário em Londres, falou diante de um hostil painel de legisladores como parte da investigação sobre o caso.

Em um testemunho de duas horas e meia, Agius descreveu seu drama pessoal por trás do escândalo que eclodiu na semana passada e que culminou na renúncia de Diamond.

"Eu não estou feliz de estar onde estou, como vocês podem imaginar", disse Agius. "É muito difícil você olhar para trás e dizer que poderia ter feito diferente."

O Barclays foi multado em mais de US$ 450 milhões (R$ 915 milhões) por sua parcela de culpa na manipulação da taxa Libor, que é referência para centenas de trilhões de dólares em transações no mundo todo. Mais de uma dúzia de outros bancos devem ser responsabilizados pelo escândalo.

Agius foi o primeiro executivo do Barclays a renunciar quando o escândalo surgiu, mas sua saída não foi suficiente para proteger Diamond, que renunciou um dia depois.

Agius concordou em permanecer como chairman executivo para encontrar um sucessor para Diamond.

"Bob Diamond decidiu de maneira voluntária renunciar ao bônus que ele deveria receber", disse Agius, 65. "O valor máximo seria de 20 milhões de libras."

Diamond, 60, ainda vai receber o salário por um ano de trabalho e pagamento em dinheiro ao invés de pensão, num total estimado em 2 milhões de libras (R$ 6,3 milhões), disse ele.

Por Alessandra Prentice e Kate Holton