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Para presidente da subsidiária do banco no País, Marcial Portela, expansão anual pode chegar a 17% nos próximos três ou quatro anos sem criar bolha de crédito

O presidente do banco Santander Brasil, Marcial Portela, acredita que ainda há espaço para crescimento de dois dígitos do crédito no país pelos próximos três ou quatro anos sem a formação de uma bolha creditícia. Além disso, o executivo estima que metade das 30 milhões de famílias que não tomam crédito poderia fazê-lo. Por outro lado, 7,5 milhões daquelas que tomam empréstimo estão mais endividadas do que deveriam, na opinião do banqueiro.

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Marcial Portela, presidente do Santander: crédito deveria crescer a um ritmo de 15% a 17%
Olivia Alonso
Marcial Portela, presidente do Santander: crédito deveria crescer a um ritmo de 15% a 17%

“Na nossa opinião, nos próximos três ou quatro anos, o crescimento poderia ser de 15% a 17%. E o crédito imobiliário vai crescer mais rápido que os outros”, afirmou nesta quarta-feira Portela, que participou de encontro com jornalistas brasileiros durante evento na cidade espanhola de Santander.

A inadimplência que assusta tantas instituições financeiras brasileiras não é considerada um problema grave pelo empresário. “Temos três trimestres com inadimplência crescentes, mas as famílias superendividadas estão menos alavancadas. A partir do quarto trimestre a inadimplência deve começar a cair”, afirma Portela.

No entanto, o patamar de calote no país ainda é bem maior do que a média mundial. Enquanto em outros países o calote fica entre 1% e 2% das operações, no Brasil alcança 5%. Além disso, o preço de alguns produtos nem sempre correspondem ao nível de risco que eles têm. “É uma situação que não está normalizada”, afirma.

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Portela diz ainda que o crédito no país tem uma duração atípica, com prazo muito curto. “O funding existente hoje foi muito construído sobre o esquema anterior de hiperinflação. A curva no tempo é diferente. Em dois ou três anos a duração vai alongar”, acredita o banqueiro.

Segundo o executivo, o país tem também algumas práticas que não existem em outros lugares e que geram situações únicas. Uma delas é o parcelamento sem a cobrança de juros. “É um círculo não virtuoso. Para compensar a não cobrança dos juros de uma pessoa é preciso cobrar e outra. É um sistema que não é muito sustentável, porque tem taxa muito elevada no cartão de crédito para aqueles que pagam juros”, diz.

Spread bancário

Para Portela, a queda de quase um terço da Selic no último ano vai ter implicações no sistema financeiro nacional em menos de uma década. “Achamos que a indústria financeira vai mudar fortemente e será construída em pilares diferentes dos de hoje”, diz o presidente do Santander Brasil. Ele afirma que uma dessas mudanças será a criação de modelos de cartão de crédito diferentes, com juros no rotativo que poderão cair do patamar atual de 10% ao mês para 5%, por exemplo.

Para Portela, bancos e governo vão trabalhar juntos para ajudar nessa transformação. “Precisamos da criação de um cadastro positivo de clientes, o que é relevante para poder colocar os preços do crédito no lugar adequado”, destacou.

A repórter viajou a convite do Santander

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