Tamanho do texto

Presidente do Santander, Emilio Botín, afirma que banco está entre os três espanhóis que não vão recorrer à ajuda para se capitalizar pelos próximos três anos

A Espanha está passando por um processo de mudança importante que vai corrigir desequilíbrios gerados na última década no país. A afirmação é do presidente do Santander, Emilio Botín, que acredita ainda que o governo do conservador Mariano Rajoy vai assentar as bases para uma economia eficiente e equilibrada: “depois de concluir as reformas (trabalhista e deficitária), o sistema financeiro espanhol vai se situar entre os mais sólidos do mundo. Estou convencido disso”, ressalta.

Bancos espanhóis precisam de até 62 bilhões de euros, segundo consultorias

Após rebaixar matriz, Fitch corta rating do Santander Brasil

O presidente do Santander, Emilio Botín
Divugação
O presidente do Santander, Emilio Botín

Enquanto isso não acontece, os bancos do país ainda dependem de ajuda externa para sobreviver. De acordo com as consultorias Roland Berger e a Oliver Wyman, as instituições financeiras espanholas necessitam de pelo menos 62 bilhões de euros para se capitalizar. No entanto, Botín afirma que essa realidade passa longe de seu banco. “O Santander será um dos três bancos espanhóis que não vão precisar da ajuda para ampliar seu capital nos próximos três anos. Não vamos precisar de um centavo”, garante.

E isso, entre outras coisas, porque o banco tem pouca exposição aos títulos das dívidas tanto da Espanha quanto dos demais países onde o Santander, de acordo com Botín. “Nossa dívida pública é de 70 bilhões de euros no mundo todo. E só temos dívida dos países em questão, não temos dívida francesa, grega. Temos em torno de 10% a 12% de exposição à dívida dos países nos quais atuamos, financiada na moeda do país”, afirmou.

Moody's cortará em horas ratings de bancos espanhóis

Espanha adotará novas medidas para estimular crescimento em breve

Espanha solicita formalmente "assistência financeira" para os bancos

Outra das razões para a saúde financeira da instituição é sua análise de risco. “Temos prudência quanto ao risco. Nas reuniões do conselho executivo, das quatro horas de encontro passamos três horas e meia discutindo risco”, afirma o presidente do Santander. “Deixamos de fazer operações que seriam lucrativas porque não cumprem parâmetros de risco”, diz.

Cúpula da União Europeia

O executivo acredita também que a Europa está pavimentando o caminho para sair da crise. “O euro vai sair fortalecido de todos os problemas que enfrenta”, afirma. “Vamos começar a crescer de novo. A reunião (da União Europeia) do próximo final de semana é muito importante”, diz.

E as medidas estudadas nesse sentido e que podem ser anunciadas são bem vistas pelo presidente do Santander. “A união bancária, o fundo de garantia europeu, o regulador único e os eurobônus podem resultar em algo”, destaca. O empresário, porém, criticou a resposta das autoridades europeias às turbulências originadas com a crise do endividamento da Grécia.

“A Europa permitiu que crises pequenas, como a da Grécia, gerassem algo tão grande. Mas todos se uniram para combatê-la. As medidas vão levar tempo, mas surtirão efeito. Porque afeta o crescimento da China e de outros países”, afirma.

A repórter viajou a convite do Santander


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.