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Giro fraco e cautela no exterior contribuíram para o movimento da moeda à vista, em oposição ao declínio do dólar ante inúmeras divisas globais

Reuters

O dólar subiu ante o real nesta sexta-feira pela terceira sessão seguida, com investidores ainda mantendo cautela diante de incertezas em relação à zona do euro e sob uma perspectiva de difícil recuperação da economia global.

O dólar fechou com alta de 0,48%, cotado a R$ 2,0647 na venda. Na semana, a moeda norte-americana acumulou valorização de 0,99%, também em função do cenário externo conturbado.

Durante o dia, a divisa atingiu mínima de R$ 2,0489, fechando perto da máxima, de R$ 2,0670.

"Acredito que ainda exista alguma aversão ao risco com a situação na Europa... De alguma forma, o cenário instiga investidores a voltarem para a cautela", disse o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

"O mercado está muito arisco, e qualquer coisa pode vir a atrapalhar planos de investidores. Com isso, eles voltam para o dólar", completou.

O operador de câmbio de um banco, e que prefere não ser identificado, reforçou que o dólar acompanhou o cenário externo um pouco indefinido nesta sexta-feira. "Ainda há algum pessimismo em relação à Europa", acrescentou.

Na quinta-feira, os mercados acionários, de câmbio e de juros refletiram diversos indicadores negativos divulgados no exterior e a expectativa de rebaixamento de 15 bancos pela agência de classificação de riscos Moody's, que foi confirmada logo depois do fechamento da sessão.

Nesta sexta-feira, alguma melhora foi percebida nos mercados em relação à véspera, mas sem muita força diante de uma agenda de indicadores vazia e da expectativa de que uma recuperação da economia ainda vai demorar.

Os líderes de Alemanha, França, Itália e Espanha concordaram nesta sexta-feira com a adoção de um pacote de 130 bilhões de euros (US$ 156 bilhões) para tentar reanimar o crescimento econômico na Europa. No entanto, ainda há diferenças sobre o lançamento de títulos conjuntos para combater a crise da dívida da zona do euro.

O gerente de câmbio Reginaldo Galhardo disse acreditar que a maior aversão ao risco nos mercados em função do cenário complicado deve ser mantida na semana que vem, pressionando o dólar.

Mas que a divisa não tem muito motivos para cair, se mantendo entre R$ 2,02 e R$ 2,07, com investidores querendo manter sua posição comprada e sem subir muito por receio de uma atuação do BC, completou.

O Banco Central, no entanto, não atua por nove sessões. Segundo Galhardo, o BC pode estar de fora do mercado porque a alta do dólar ante o real tem sido consistente e com motivos no exterior para isso. Ele vê que o BC poderia atuar no caso de um avanço muito rápido.

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